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Dos Fados aos Fatos
Qual será a verdadeira contribuição da música brasileira para o Brasil e para o mundo? Você sabe?
Caro amigo, vou lhe contar que o hip-hop brasileiro está aí, veio para ficar revestido das artimanhas dos guetos brasileiros e um dia acabará virando mainstream em nossa sociedade, da mesma maneira que aconteceu nos EUA.
Enquanto isso, na Itália, Estados Unidos, Japão etc... só se fala de samba e bossa nova, e de gente que ninguém conhece bem, no Brasil, como: Tânia Maria, banda Pé de Boi, Aloísio Aguiar, Duduca da Fonseca, Romero Lubambo e Dom Um Romão. Todos esses nomes que descrevi pra você são de artistas brasileiros que representam o Brasil no exterior.
No Rio de Janeiro, temos muitos músicos que viraram personagens de nossa cidade, como o baterista Plínio Araújo, da Orquestra Tabajara, que é, hoje em dia, o profissional de bateria com mais idade (83 anos) em atividade profissional na música. Não posso deixar de citar o percussionista Pinduca, Luiz Anunciação, que é percussionista erudito e sempre esteve de olho e próximo aos instrumentos de percussão populares de nosso país. No dia 23 de março, tivemos um encontro desses dois baluartes de nossa música nacional trocando figurinhas com dezenas de outros músicos, Guto Goffi (Barão Vermelho), Robertinho Silva, Carlos Negreiros, Bidinho, Fernando Moraes, Serginho Trombone, João de Aquino, etc... no Espaço Cultural Sérgio Porto, onde a Maracatu Brasil apresentou, pela primeira vez à cidade do Rio de Janeiro, a sua escola carioca de música popular brasileira.
O foco principal dessa nova escola é a MPB, que não pode morrer e deixar de ser ensinada de geração para geração, pois essa música é o nosso ouro negro, felizmente deixado para trás pelos portugueses.
Este ano começou quente para mim, que tive o prazer e a sorte de tocar no réveillon 2005, em Copacabana (palco Ar, na Constante Ramos), com os componentes do meu grupo, o Barão Vermelho, que com Elba Ramalho e Alcione comandaram os três grandes palcos montados na praia.
É a festa mais linda do mundo e, sinceramente, foram uns quatro Rock in Rio juntos: quinhentas mil pessoas cantando e curtindo num mesmo lugar, celebrando a vida, a esperança e toda a expectativa que um ano novo ano traz.
Agora, já em 2005, estou bem instalado em meu QG, que é a embaixada dos ritmos brasileiros no Rio de Janeiro, onde começou, em 10 de janeiro e vai até 4 de fevereiro o maravilhoso Marcos Suzano, que, pela terceira vez consecutiva, bombou a parada. Há 40 alunos na sua turma de verão deste ano, que, na verdade, não vieram somente para aprender a tocar pandeiro; querem estar próximos do ídolo incontestável que Marcos Suzano tornou-se, após revolucionar o pandeiro com a sua técnica pessoal de tocá-lo, tão admirada pelos músicos que estão chegando à cena.
Na seqüência, temos Edwin de Olinda, Robertinho Silva e ainda teremos o mestre Odilon Costa, Marcos Esguleba, Rio Maracatu, Durval Pereira, OrlandoCosta, Celsinho Silva e tantos outros maravilhosos mestres dos ritmos brasileiros, que certamente me levam a achar que este ano será o melhor de todos que já vivi.
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