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BREVE HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL - Por Nelson Barboza - outubro 2013



BREVE HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL
Capítulo 1 – Estados Unidos da América – Parte 14

A história dos mais destacados filmes dos EUA a partir da década de 1950, devido ao seu grande acervo, poderá ser vista em meu e-book, à venda na amazon.com.br: CINEMA - ARTE, CULTURA, HISTÓRIA.
Veremos, agora, a história das famosas fitas em série dos anos 1930/1950.

O CINEMA DIVIDIDO – PRIMEIRO EPISÓDIO

BREVE HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL

Capítulo 1 – Estados Unidos da América – Parte 13
OS GRANDES FILMES NORTE-AMERICANOS DA DÉCADA DE 1940 (parte final)

Em 1948, tivemos uma pequena melhora na produção hollywoodiana, com destaque para três filmes: 
Odeio-te meu amor (Preston Sturges): obra-prima do especialista da comédia, diretor de vários sucessos, como: As três noites de Eva, Contrastes humanos, Papai por acaso, Herói de mentira. Maestro (Rex Harrison), que acredita estar sendo enganado por sua mulher, arquiteta sua vingança enquanto está regendo um concerto, imaginando os modos de agir, que variam conforme os trechos da música;  
O tesouro de Sierra Madre (John Huston): bela adaptação do romance de 1928 de Bruno Traven (1890-1969). Um estudo da natureza humana diante da cobiça. Neste espetacular faroeste, Huston, mais uma vez, aborda a temática do fracasso (Vide: Relíquia Macabra, 1941), que teria continuidade com Resgate de Sangue (1949) e Segredo das joias (1950): três homens ambiciosos vão a busca de ouro nas montanhas do México, dispostos a fazer fortuna. Enfrentam muitos obstáculos juntos, mas, obcecados pela cobiça, deixam vir à tona o que de pior existe em suas personalidades. 

BREVE HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL

Capítulo 1 – Estados Unidos da América – Parte 12

OS GRANDES FILMES NORTE-AMERICANOS DA DÉCADA DE 1940 (continuação)

O ano de 1945 teve dois grandes destaques:
– Farrapo humano (Billy Wilder): um drama profundo sobre o alcoolismo e suas consequências. Excelente performance de Ray Milland no papel de um escritor que, dominado pelo vício, chega a ponto de penhorar sua máquina de escrever para comprar bebida e, também, roubar. Oscar de filme, diretor, ator (Milland) e roteiro; – Fomos os sacrificados (John Ford): dramático relato do heroísmo e tragédia de um esquadrão de “PT-boats” americano em sua luta contra os japoneses, nas Filipinas, logo após o ataque a Pearl Harbor; de dezembro de 1941 até abril de 1942. Baseado em fatos reais ocorridos com os tenentes John Bulkeley e Robert Kelly, depois premiados com a Medalha de Honra e a Cruz da Marinha, respectivamente. Outros bons filmes de 1945 que merecem ser vistos são: – O retrato de Dorian Gray (Albert Lewin); – Quando fala o coração (Alfred Hitchcock); – O túmulo vazio (Robert Wise); – Um punhado de bravos (Raoul Walsh); – Alma em suplício (Michael Curtiz); – Um passeio ao sol (Lewis Milestone).

Em 1946, Os melhores anos de nossas vidas, de William Wyler, clássico ganhador de sete Oscar, conta a história de três pracinhas que voltam ao lar após a II Guerra Mundial e suas tentativas de adaptar-se à vida civil. Comovente drama sobre os problemas decorrentes dos horrores da guerra. Harold Russel, que perdera realmente as mãos na guerra, tem uma participação extraordinária, lutando para superar sua deficiência física. Oscar de filme, diretor, ator (Fredric March), montagem, ator coadjuvante (Russel), roteiro e trilha sonora.

Entretanto, em 1946, tivemos grandes filmes, capazes de competir à altura com o ganhador do Oscar, como:  – A felicidade não se compra (Frank Capra): excelente fantasia do mestre Capra, considerada por ele como o seu melhor filme. Dentro do estilo capriano de que as boas ações e sentimentos são sempre dignos de recompensa, características já expostas em filmes anteriores, o diretor enfatiza o idealismo, o sacrifício pessoal em prol do coletivo, a inocência, o otimismo, a solidariedade, o heroísmo e a bondade, entre tantas outras virtudes do ser humano. George Bailey, um homem decente e bondoso (James Stewart), assume, após a morte de seu pai, o controle de uma empresa, angariando, em contrapartida, um cruel inimigo: o ambicioso e inescrupuloso banqueiro Potter (Lionel Barrymore). Enquanto o banqueiro explora os mais pobres, Bailey os ajuda. Ao se ver sufocado por problemas financeiros, talvez causados por sua própria generosidade, Bailey resolve suicidar-se, mas é salvo por um anjo (Henry Travers), que lhe mostra como o mundo seria se ele não tivesse existido e o encoraja a enfrentar os problemas; – Paixão dos fortes (John Ford): um dos grandes filmes do mestre do faroeste. Versão nostálgica da história do lendário xerife de Tombstone (Arizona), Wyatt Earp (Henry Fonda em sua melhor atuação no gênero) e do seu amigo Doc Holliday (Victor Mature) que, juntos, participam do famoso duelo com os bandidos da família Clanton, em OK Corral.

A canção do filme, My darling Clementine, tornou-se célebre. Em 1957, John Sturges também filmou a saga do xerife Earp em “Sem lei e sem alma” (Gunfight at the OK Corral), um bom espetáculo, com Burt Lancaster e Kirk Douglas nos principais papéis; – O destino bate à sua porta (Tay Garnett): clássico filme noir com Lana Turner no seu melhor papel. Baseado num romance de 1934 de James Mallahan Cain (1892-1977), especialista em histórias de suspense e violência – que reclamou das mudanças feitas no filme para adaptar-se às exigências da censura do Hays Office –, mostra o drama do casal de amantes (Lana Turner/John Garfield) que planeja a morte do marido traído (Cecil Kellaway). Em 1981, com a censura mais abrandada, foi feita uma versão mais explícita da história de Cain, com cenas de sexo e violência, tendo como protagonistas Jessica Lange e Jack Nicholson, sob a direção de Bob Rafelson, mas sem o mesmo vigor da original; – À beira do abismo (Howard Hawks): obra-prima para quem gosta de filme noir com trama complexa. Esplêndida adaptação de O sono eterno, primeiro romance policial de Raymond T. Chandler (1888-1959), criador do detetive Philip Marlowe, aqui interpretado por Humphrey Bogart.

Marlowe é procurado por misteriosa mulher (Lauren Bacall, casada com Bogart desde 1945) e sua irmã (Martha Vickers), que o contratam para esclarecer um caso, envolvendo-o em intricada trama, repleta de assassinatos e pistas complicadas. Embora presa ao puritanismo existente na época, a história tem lances de loucura, drogas, ninfomania e pornografia, abordados superficialmente. O filme contou com os três maiores roteiristas do período: Jules Furthman, Leigh Brackett e, até, William Faulkner, o grande escritor norte-americano ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1949. Outros bons filmes de 1946 que podem ser vistos são: Interlúdio (Alfred Hitchcock); O pecado de Cluny Brown (Ernst Lubitsch); Virtude selvagem (Clarence Brown); Gilda (Charles Vidor).

Em 1947, tivemos alguns bons filmes, nada de excepcional. Entre os que merecem uma olhada, temos: Monsieur Verdoux (Charles Chaplin); Corpo e alma (Robert Rossen); Domínio dos bárbaros (John Ford); O justiceiro (Elia Kazan); Rancor (Edward Dmytryk); De ilusão também se vive (George Seaton).


Nelson Barboza

BREVE HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL


Capítulo 1 – Estados Unidos da América – Parte 11
OS GRANDES FILMES NORTE-AMERICANOS DA DÉCADA DE 1940 (continuação)

Em 1942, tivemos, além dos mencionados no capítulo anterior, A canção da vitória, de Michael Curtiz, superpatriótica e ufanista biografia de um teatrólogo norte-americano, com James Cagney em dinâmico desempenho como dançarino, ator e cantor, o que lhe valeu o Oscar do ano.
Outros bons filmes de 1942 foram: Ser ou não ser (Ernst Lubitsch), Bonita como nunca (William A. Seiter), Em cada coração um pecado (Sam Wood), Mulher de verdade (Preston Sturges), A incrível Suzana (Billy Wilder), Estranha passageira (Irving Rapper), A mulher do dia (George Stevens) e A sedução do Marrocos (David Butler).

BREVE HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL

Capítulo 1 – Estados Unidos da América – Parte 10
OS GRANDES FILMES NORTE-AMERICANOS DA DÉCADA DE 1940 (continuação)

Ainda no ano de 1941, destacamos:
– Como era verde o meu vale (John Ford), ganhador de cinco Oscar: filme, diretor, ator coadjuvante (Donald Crisp), fotografia e direção de arte. Com um belo cenário e excelente direção, mostra as alegrias e tristezas de uma família de mineradores de carvão no País de Gales; – Relíquia macabra (John Huston), cult movie do gênero noir, baseada na novela policial “O falcão maltês”, de Dashiell Hammett (1894-1961), conta a história de um grupo de pessoas gananciosas em busca da valiosa estatueta de um falcão negro, que conteria em seu interior um tesouro fabuloso. Excepcional performance de Humphrey Bogart como o duro detetive particular Sam Spade e excelentes atuações de Peter Lorre (como o ambíguo Joel Cairo), Mary Astor (a cliente) e Elisha Cook Jr. (a neurótica Wilmer); – Contrastes humanos (Preston Sturges): bem-sucedido diretor de cinema, cansado de fazer comédias leves durante a Depressão, resolve realizar um drama pretensioso sobre a questão social; um filme sério, retratando a dura realidade da vida. Vai à luta, com dez cents no bolso, em busca do que considera “o mundo real”, mas é assaltado, acusado de homicídio e preso.

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Capítulo 1 – Estados Unidos da América – Parte 9

OS GRANDES FILMES NORTE-AMERICANOS DA DÉCADA DE 1940

Em 1940, temos oito destaques: – As vinhas da ira (John Ford): baseado em um romance de John Steinbeck, mostra a história de uma família de camponeses pobres que é forçada a abandonar suas terras, no solo seco do Meio-Oeste, e sua dura viagem para os vales da Califórnia, em busca de trabalho, durante a Depressão nos EUA. Um retrato dos problemas sociais ocasionados naquele período difícil, como tão bem soube expor Steinbeck em seus romances; – Rebecca, a mulher inesquecível (Alfred Hitchcock): primeiro filme americano de Hitchcock. Bela produção do romance gótico de Daphne du Maurier. Garota tímida se casa com um nobre britânico, dono de enorme mansão e passa a ser atormentada pela cruel e sinistra governanta, que cultua a memória da primeira esposa de seu patrão, Rebecca. Oscar de filme e fotografia; – O turbulento (The bank dick): clássica comédia dirigida por Edward Cline, um especialista do burlesco, e com W. C. Fields como ator e roteirista (sob o pseudônimo de “Mahatma Kane Jeeves”).

Irresponsável e preguiçoso elemento consegue, acidentalmente, interromper um assalto e capturar o ladrão. É contratado como guarda de um banco e tira um proveito nada elogiável disso; – Núpcias de escândalo (George Cukor): comédia amalucada, baseada em peça da Broadway escrita por Philip Barry, sobre as atribulações de uma socialite (Katharine Hepburn) que, após separar-se do marido beberrão (Cary Grant), está disposta a casar-se com um puritano. Tudo se complica quando o ex-marido reaparece junto com um repórter falastrão (James Stewart) e uma fotógrafa (Ruth Hussey). A brilhante atuação de Stewart em seu inusitado papel levou-o a conquistar o Oscar de melhor ator. Filme teve uma versão musical em 1956: Alta sociedade, com Grace Kelly em sua última atuação; – Orgulho e preconceito (Robert Z. Leonard): comédia de costumes em notável, inteligente e fiel adaptação da obra-prima homônima da romancista inglesa Jane Austen (1775-1817), publicada em 1813, que conta a história de cinco irmãs à procura de marido, na sociedade provinciana dos anos 1800. Excelente elenco, com destaque para Laurence Olivier, no papel do janota mr. Darcy, e Greer Garson como a espirituosa Elizabeth Bennett. Um dos roteiristas foi Aldous Huxley, o célebre escritor inglês, autor de O admirável mundo novo, de 1932.

No ano de 1940, tivemos, também, duas grandes realizações dos Estúdios Disney, ambas sob a supervisão de produção de Ben Sharpsteen:

– Fantasia, agradável e criativa combinação de desenho animado e música erudita, um bom instrumento para levar as crianças ao conhecimento e gosto pela boa música. Trilha sonora com a Orquestra de Filadélfia, sob a regência de Leopold Stokowski;

– Pinóquio, baseado na célebre obra do escritor e jornalista italiano Carlo Callodi (1826-1890), As aventuras de Pinocchio, de 1880, uma fantasia pedagógica que mostra a transformação de um pequeno boneco de madeira em um menino de verdade e seus problemas com o aprendizado da vida. Obra-prima de animação que contribuiu para a popularização da cativante história e seus personagens: o “pai” Gepeto, o grilo falante, a raposa “João Honesto” etc. Na trilha sonora de belas canções, destaca-se When you wish upon a star, ganhadora do Oscar.

Outras boas produções do ano de 1940, que merecem ser vistas, foram: Jejum de amor (Howard Hawks); O grande ditador (Charles Chaplin); O galante aventureiro (William Wyler); Correspondente estrangeiro (Alfred Hitchcock); A marca do Zorro (Rouben Mamoulian); A carta (William Wyler); A longa viagem de volta (John Ford); Bandeirantes do Norte (King Vidor).

No ano de 1941, também tivemos grandes produções, com destaque para:
– Cidadão Kane (Orson Welles): extraordinário filme, baseado na carreira do magnata e jornalista William Randolph Hearst. Descrito por Welles como “o retrato da vida privada de um homem público”, o filme causou escândalo logo após o seu lançamento, em 1o de maio de 1941, devido às inúmeras semelhanças satíricas e maliciosas entre o protagonista do filme (Kane) e o milionário Hearst, proprietário de mais de 100 jornais nos EUA. Hearst tentou destruir o filme, chegando a oferecer mais de 800 mil dólares à RKO, para queimar os negativos. Além disso, ainda processou Welles. Nada adiantou; não conseguiu impedir a exibição de uma das melhores obras do cinema, que mostra, com sensibilidade e inteligência, a transformação do ambicioso cidadão “Charles Foster Kane”, desde o seu início como dono de um pequeno jornal, que adotaria uma linha editorial sensacionalista e seria o ponto de partida para a criação de um verdadeiro império jornalístico, com poder de influenciar a opinião pública. Com uma narrativa não linear, o filme começa mostrando a morte solitária do magnata em sua mansão. Sua última palavra é “rosebud”, mistério que posteriormente um repórter tenta investigar. Seria a evocação nostálgica de uma infância perdida? Rosebud (botão de rosa) era o nome do trenó em que Kane passeava quando criança.

Ironicamente, “rosebud” era o eufemismo que Hearst utilizava, carinhosamente, para se referir ao sexo de sua amante... O filme teve nove indicações para o Oscar, mas só levou o de melhor roteiro. Em 1970, a Academia de Hollywood quis reparar o erro, oferecendo um Oscar honorífico a Welles, pelo conjunto de sua obra, mas o cineasta recusou-se a ir à cerimônia, ressaltando a incongruência de tal medida.










Nelson Barbosa

BREVE HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL


Capítulo 1 – Estados Unidos da América – Parte 8
1930/1939 – A DÉCADA DE GRANDES PRODUÇÕES (Continuação)

No ano de 1938, ressaltamos os seguintes: – Do mundo nada se leva, adaptação de um sucesso da Broadway, é um peculiar filme de Frank Capra, que procura, de modo bem-humorado, uma mistura de idealismo e sentimentalismo, mostrando a revolução que se processa na família de dois namorados que anunciam seu desejo de casar; ganhou os Oscar de filme e diretor;  – Levada da breca, de Howard Hawks, considerada, por muitos, a melhor comédia dos anos 1930; uma herdeira provocante e louca (Katharine Hepburn em sua primeira atuação como comediante) tem um leopardo de estimação, “Baby”; Cary Grant é o confuso e distraído zoólogo; caos total e ação intensa;  – As aventuras de Robin Hood, de Michael Curtiz e William Keighley, é um dos melhores filmes do gênero, numa versão clássica da famosa lenda dos livros de sir Walter Scott; a história, por todos conhecida, tem Errol Flynn no papel principal, Basil Rathbone como o maquiavélico xerife de Nottingham, Claude Rains como o príncipe João, Olivia de Haviland como o amor de Robin, Lady Marian, e Ian Hunter como o rei Ricardo Coração de Leão.

1939, O ANO DE OURO DA DÉCADA, teve os seguintes destaques: – No tempo das diligências, o clássico impecável de John Ford que inspirou e serviu de modelo a muitos outros filmes de faroeste, mostra o tenso relacionamento de heterogêneo grupo de passageiros de uma diligência e o contraste entre suas classes e valores sociais, em viagem por um território hostil, infestado de índios apaches, que acabam por atacá-los;  – ...E o vento levou, de Victor Fleming; em quase quatro horas de filme (222 minutos), a saga da bela e decidida sulista Scarlett O’Hara, por ocasião da Guerra Civil americana.

 Uma epopeia romântica meticulosamente produzida por David O. Selznick, com trilha sonora memorável; ganhou os Oscar de filme, diretor, roteiro, fotografia, atriz (Vivien Leigh), atriz coadjuvante (Hattie McDaniel), montagem e direção de arte;  – O mágico de Oz, de Victor Fleming, fantástica e encantadora fantasia musical com inesquecível trilha sonora e ótimos efeitos especiais; a história “além do arco-íris” da menina que é levada da casa dos tios por um ciclone para a lendária Terra de Oz, onde encontra o Homem de Lata, o Espantalho e o Leão Medroso; filme revelou o talento de Judy Garland e ganhou os Oscar de melhor canção (Over the rainbow) e trilha sonora; “Um perfeito elenco na perfeita fantasia”, segundo Leonard Maltin, em seu Movie and video guide, edição 2001;  – A mulher faz o homem, de Frank Capra; político honesto e idealista (James Stewart) é enviado a Washington e consegue derrotar um corrupto membro do Senado americano (Claude Rains); exaltação aos valores da decência e da honestidade que guarda certa relação com a história de O galante mr. Deeds (1936), do mesmo diretor e com Gary Cooper como protagonista;  – Ninotchka, de Ernst Lubitsch, comédia sofisticada, primeira de Greta Garbo e que ficou famosa pela propaganda da MGM, na época, que dizia: “Garbo ri”; é uma crítica espirituosa aos regimes totalitários; Garbo faz a fria agente russa que vai a Paris em busca de três comissários de seu país, mas acaba se rendendo aos encantos de matreiro conde playboy (Melvin Douglas), que está atrás das joias de uma grã-duquesa (Ina Claire), também procuradas pelos três funcionários soviéticos; esta obra foi refilmada como comédia musical em 1957, com o título de Meias de seda, último filme de Rouben Mamoulian;  – Atire a primeira pedra, de George Marshall, faroeste satírico e divertido onde se misturam drama, música e comédia; xerife (James Stewart) pretende limpar tumultuada cidade sem empregar violência e envolve-se com turbulenta dona de um saloon (Marlene Dietrich);  – Gunga Din, de George Stevens, grande clássico do cinema de aventura cômica, baseado em poema de Rudyard Kipling; na Índia do século XIX, as aventuras de três soldados ingleses que enfrentam nativos hindus, ajudados por um carregador de água (Gunga Din);  – O morro dos ventos uivantes, de William Wyler, foi eleito o filme do ano, pela Associação de Críticos de Nova York, grande feito, em um período de ótimas produções; tido como a melhor adaptação da obra-prima de Emily Brontë (o maior romance do Romantismo inglês), mostra a trágica e violenta história de amor passada numa casa açoitada por ventos na Inglaterra pré-Vitoriana.

Além desta seleção, outros bons filmes da década foram: –1930: Os galhofeiros (direção de Victor Heerman), Anna Christie (dir. Clarence Brown), Anjos do Inferno (dir. Howard Hughes), Alma do lodo (Mervyn Le Roy), Marrocos (Josef Von Sternberg); –1931: O campeão (King Vidor), Drácula (Tod Browning), A última hora (Lewis Milestone), O inimigo público (William Wellman); –1932: Vítimas do divórcio (George Cukor), O médico e o monstro (Rouben Mamoulian), Monstros (Tod Browning), Os gênios da pelota (Norman Z. McLeod), Terra de paixões (Victor Fleming), Scarface – A vergonha de uma nação (Howard Hawks); A múmia (Karl Freund); –1933: Voando para o Rio (Thornton Freeland), Belezas em revista (Lloyd Bacon), Cavadoras de ouro (Mervin Le Roy), Santa não sou (Wesley Ruggles), O homem invisível (James Whale); –1934: Mulheres e música (Ray Enright), Alegre divorciada (Mark Sandrich); O gato preto (Edgar G. Ulmer); A patrulha perdida (John Ford); –1935: O delator (John Ford), Capitão Blood (Michael Curtiz); Duas almas se encontram (Howard Hawks); –1936: Fúria (Fritz Lang), Floresta petrificada (Archie Mayo), A cidade do pecado (W.S. Van Dyke), O prisioneiro da Ilha dos Tubarões (John Ford), Irene, a teimosa (Gregory La Cava); Lloyds de Londres (Henry King); Sossega leão (Our relations, curta de Laurel e Hardy); –1937: A dama das camélias (George Cukor), Nasce uma estrela (William Wellman), Uma dupla do outro mundo (Norman V. McLeod), Um dia nas corridas (Sam Wood), Beco sem saída (William Wyler), Nada é sagrado (William A. Wellman); Dois caipiras ladinos (curta de Laurel e Hardy); –1938: A ceia dos veteranos (John G. Blystone), Anjos de cara suja (Michael Curtiz), A patrulha da madrugada (Edmund Goulding), Boêmio encantador (George Cukor), Jezebel (William Wyler), Belinda (Jean Negulesco); –1939: Beau geste (William A. Wellman), Adeus, mr. Chips (Sam Wood), Vitória amarga (Edmund Goulding), O cão dos Baskervilles (Sidney Lanfield), O corcunda de Notre Dame (William Dieterle), A mocidade de Lincoln (John Ford), Ao rufar dos tambores (John Ford) e Intermezzo, uma história de amor (Gregory Ratoff).

Nelson Barboza

BREVE HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL




Capítulo 1 – Estados Unidos da América – Parte 7
1930/1939 – A DÉCADA DE GRANDES PRODUÇÕES (Continuação)

Foram selecionados sete filmes em 1935:

 – O grande motim, de (Frank Lloyd), adaptação do romance de Charles Nordhoff e James Norman Hall sobre o motim contra o sádico, provocador e tirânico capitão Bligh (Charles Laughton, em espetacular atuação), numa viagem do HMS Bounty pelos mares do sul; foi o ganhador do Oscar do ano; 
David Copperfield, de George Cukor; baseado no romance de inspiração autobiográfica de Charles Dickens, lançado em 1849, este filme reúne um elenco brilhante, perfeita reconstituição de época, ótima fotografia e fiel roteiro; relata a mudança na vida do jovem David, que vivia feliz ao lado da mãe viúva, até ela se casar novamente; 
Uma noite na ópera, de Sam Wood; os Irmãos Marx, desta vez entrando no mundo da ópera, em comédia que alguns críticos consideram como a melhor do trio; aqui, eles batalham para lançar um cantor desconhecido, destroçam um teatro, viajam clandestinamente em um navio etc. Diálogo no navio: – “É permitida gorjeta neste navio?” – “Sim, senhor”. – “Você tem duas moedas de cinco centavos?”  – “Sim, senhor”. – “Então não precisa dos dez centavos que eu ia lhe dar”. E por aí vai...; 
O Picolino, de Mark Sandrich; a dupla Fred Astaire e Ginger Rogers, em outro excelente musical, com belos números de dança e canto, como Cheeck to cheeck, Piccolino, Top hat, White tie and tails e Isn’t this a lovely day to be caught in the rain, além de outras canções de Irving Berlin;
 – A noiva de Frankenstein, de James Whale; continuação, à altura, do clássico Frankenstein, de 1931; o fúnebre barão, agora obcecado na criação de uma companheira para o monstro. Boris Karloff novamente em excelente atuação; 
Lanceiros da Índia, de Henry Hathaway, obra-prima do filme de aventuras extravagantes, passada em Bengala, império britânico construído no noroeste da Índia; filme cheio de ação, com maravilhosos cenários; embora seja uma obra fantasista, a diversão é garantida; 
Anna Karenina, de Clarence Brown, versão luxuosa do romance de Leon Tolstoi, passado na Rússia do século XIX; Greta Garbo faz a linda mulher casada que enfrenta os maiores riscos por sua paixão proibida, desafiando as regras da sociedade da época.
Destacamos apenas quatro filmes em 1936: 
Tempos modernos, de Charles Chaplin, genial sátira sarcástica sobre a industrialização, a desumanização e a luta pela sobrevivência na sociedade moderna dos tempos da depressão; crítica, também, ao descaso com que são tratados os operários e os deserdados da vida; obra-prima com cenas inesquecíveis, como a da linha de montagem da fábrica e a em que Carlitos é tido como líder grevista ao pegar uma bandeira vermelha que havia caído de um caminhão. Último filme de Chaplin sem diálogos; são dele, ainda, o roteiro, a história e a música (Smile, a canção-tema, tornou-se imortal); 
Ritmo louco, de George Stevens, figura entre os melhores musicais da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers; canções inesquecíveis de Jerome Kern e Dorothy Fields, como: Pick yourself up, A fine romance e a vencedora do Oscar, The way you look tonight
O galante mr. Deeds, de Frank Capra, mostra a moral e a decência de um poeta do interior que pretende fazer, para pessoas carentes, a doação da herança de vinte milhões de dólares que recebeu; o filme pretende fazer a defesa dos valores sociais numa época em que os EUA estavam procurando consertar sua situação econômica; em Portugal, o filme ficou com o nome de “Doido com juízo”...;   
Fogo de Outono, de William Wyler, ótima adaptação da obra de Sinclair Lewis, Dodsworth, de 1929, que conta a história de industrial americano de meia-idade que vai para a Europa com a esposa e ali encontra novos valores e novas amizades.
Cinco filmes se destacaram em 1937: 
Branca de Neve e os sete anões, de Walt Disney; baseado num conto dos irmãos Grimm, este é o primeiro longa-metragem de animação; custou 700 mil dólares e teve na produção uma equipe de 570 artistas que o redesenharam cerca de cinco vezes em busca da perfeição; sucesso mundial pioneiro, ganhou um Oscar especial;
Emile Zola, de William Dieterle, considerado o melhor dos filmes biográficos dos anos 1930; exata biografia do famoso escritor francês do século XIX, desde sua juventude até a velhice; sua luta contra a injustiça e sua defesa do capitão Alfred Dreyfus, vítima do antissemitismo e erroneamente exilado sob a falsa acusação de traição; ganhou o Oscar de filme, roteiro e ator coadjuvante; 
Marujo intrépido, de Victor Fleming; baseado no livro de Rudyard Kipling, Capitães corajosos, de 1897, conta a história de um menino rico e mimado que cai de um navio, é resgatado por um pescador português, passa a viver o dia a dia dos pescadores e começa a moldar sua personalidade; notável interpretação de Spencer Tracy, como Manuel, o pescador português, o que lhe valeu seu primeiro Oscar;  
Horizonte perdido, de Frank Capra, adaptação do best-seller de James Hilton, de 1933, conta a história de cinco fugitivos da Guerra da China cujo avião cai numa isolada região do Tibete onde encontram Shangri-La, um paraíso utópico onde reina a paz, a saúde, a longevidade e a felicidade; filme ganhou o Oscar de cenários;  
O prisioneiro de Zenda, de John Cromwell, a melhor versão do romance de Anthony Hope (já adaptado em filmes de 1914 e 1922 e, após, em 1952 e 1979); inglês (Ronald Colman) é obrigado a se fazer passar pelo rei da Ruritânia – seu primo que fora sequestrado –, mas se apaixona pela princesa (Madeleine Carrol); ótima atuação de Douglas Fairbanks Jr. como o vilão Rupert; o filme conta com boas lutas de esgrima, além de belos vestuários e cenários. 

BREVE HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL



Capítulo 1 – Estados Unidos da América – Parte 6
1930/1939 – A DÉCADA DE GRANDES PRODUÇÕES (Continuação)

Selecionamos seis destaques para 1932:
Ladrão de alcova, de Ernst Lubitsch, sutil comédia sofisticada sobre um casal de ladrões que vê perigar sua relação quando aparece charmosa vítima; O fugitivo, de Mervyn Leroy, que, por sua conotação social, abalou a opinião pública, obrigando a reforma de muitos sistemas penitenciários; conta a história de um homem injustamente acusado de um crime (Paul Muni) que é condenado a trabalhos forçados, mas escapa e torna-se um criminoso para sobreviver; Ama-me esta noite, de Rouben Mamoulian, um dos mais benfeitos e encantadores musicais; mistura romance, comédia e sofisticação; trilha sonora com canções de Rodgers e Hart, na voz de Maurice Chevalier e Jeanette MacDonald; – Uma loura para três, de Lowell Sherman, com a irreverente e opulenta loura Mae West (1892-1980), famosa por seus problemas com a censura, em mais um filme polêmico em que exalta suas qualidades e habilidades sexuais (alguns dizem que este filme acelerou a criação – pelos bispos americanos, por apelo do Papa – da Legião da Decência nos EUA); – Grande Hotel, de Edmund Goulding, o ganhador do Oscar do ano, reuniu Greta Garbo, Joan Crawford, John Barrymore, Wallace Beery, Lionel Barrymore, Lewis Stone e outros em uma série de dramas interligados num hotel de Berlim onde “nada acontecia”...; – Entrega a domicílio (sic), curta de Laurel e Hardy foi premiado com o Oscar da categoria. 


Em 1933, destacamos sete filmes:
King Kong, de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack, clássico de aventura, pioneiro na criação e uso de efeitos especiais, inigualáveis por décadas. Com uma clara analogia ao tema de A bela e a fera, tem sequências antológicas, como a luta do gigantesco macaco contra os aviões, no topo do Empire State Building; Diabo a quatro, de Leo McCarey, uma diversão garantida, com os Irmãos Marx em suas melhores cenas: Groucho é “Rufus T. Firefly”, primeiro-ministro da “Freedonia”, que declara guerra à vizinha “Sylvania”; Zeppo está impagável como seu ajudante de ordens; os irmãos Harpo e Chico figuram como espiões inimigos; notáveis sequências de humor, como a do espelho, a dos tiros e a da barraca de limonada, entre outras; Cavalgada, de Frank Lloyd, uma nostálgica reconstituição da vida de duas famílias inglesas, do final do século XIX até o início dos anos 1930 é uma dura crítica da guerra e dos sobressaltos dela advindos. Ganhou o Oscar de filme, diretor e decorações interiores; – Rua 42, de Lloyd Bacon, musical sobre a Broadway que tem seu ponto alto na sensacional coreografia do mestre Busby Berkeley, foi indicado para o Oscar; Filhos do deserto, de William A. Seiter, considerado o melhor longa-metragem de Laurel e Hardy (o gordo e o magro). Stan e Ollie enganam as esposas, dizendo que vão para o Havaí a fim de curar uma doença em Ollie, mas, na verdade, vão para Chicago farrear em uma convenção exclusivamente masculina; só que elas descobrem a farsa e a encrenca começa...; – Jantar às oito, de George Cukor, ótima comédia sofisticada, com grande elenco da constelação MGM, mostra a reunião de diferentes pessoas convidadas para um jantar de sociedade e os diálogos daí resultantes; Jean Harlow, a “platinum blonde”, destacou-se por sua atuação. O filme teve um remake para a TV a cabo, em 1989, com Lauren Bacall; – Quatro irmãs, de George Cukor, cativante adaptação cinematográfica do romance de Louisa May Alcott, conta as aventuras de quatro jovens na Nova Inglaterra, durante a Guerra Civil Americana. Ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado. 

Temos quatro destaques para o ano de 1934:
Aconteceu naquela noite, de Frank Capra, clássica comédia romântica, foi o primeiro filme a ganhar os cinco principais Oscar: filme, ator, atriz, diretor e roteiro. Rica (e mimada) herdeira (Claudette Colbert) foge de casa, conhece num ônibus um tipo bonitão (Clark Gable), viajam pelo país e ela vai se apaixonando e descobrindo a vida, sem saber que ele é um repórter e pretende escrever sobre a história de sua fuga; – Suprema conquista, de Howard Hawks, comédia amalucada: diretor egomaníaco transforma caixeira em grande estrela do teatro; no auge da carreira, ela o deixa; numa viagem de trem, onde se encontram novamente, ele faz tudo que está ao seu alcance para tê-la de volta; – Rainha Christina, de Rouben Mamoulian; Greta Garbo, em excepcional forma, personifica a rainha da Suécia que, no século XVII, renuncia ao trono para viver com o embaixador espanhol, seu amante; – A ceia dos acusados (The Thin Man), de W. S. Van Dyke, filme policial que mistura comédia e mistério, inspirado em história de Dashiell Hammett. Seu sucesso inspirou uma série de cinco filmes – não tão bons quanto o primeiro –, baseados na mistura de comédia pastelão e mistério: After the Thin Man (1936), Another Thin Man (1939), Shadow of the Thin Man (1941), The Thin Man goes home (1944) e Song of the Thin Man (1947); detetive pinguço e esposa bêbada piadista são os protagonistas da série.

Cinema


 BREVE HISTÓRIA DO CINEMA MUNDIAL
Capítulo 1 – Estados Unidos da América – Parte 5
O CINEMA DOS EUA NA DÉCADA DE 1920 (Continuação)

HOWARD HAWKS (1896-1977) é outro grande nome que começa a produzir em 1926, com o filme O caminho para a Glória. Em 1928, lança Louise Brooks em Uma garota em cada porto (mais tarde, ela iria ser Lulu, a mulher fatal de A Caixa de Pandora, dirigido por G. W. Pabst).

WALTER ELIAS DISNEY (1901-1966), o rei do cinema animado, foi para Hollywood em 1922, após algumas tentativas em outras profissões. Um ano depois, funda o Disney Studio, juntamente com seu irmão Roy. De 1923 a 1926, começou a combinar desenho animado e atores em uma série: Alice no país dos desenhos animados. Em 1926/1927, cria seu primeiro personagem, o coelho Oswald. Mas o sucesso viria em 18.11.1928, data da estreia de Mickey Mouse, com o primeiro desenho sonoro do rato malandrinho: Steamboat Willie.

O ano de 1927 marca o início do cinema sonoro, com O cantor de jazz, de ALAN CROSLAND (1894-1936), que antes, em 1926, já produzira Don Juan, primeiro filme com uma música pós-sincronizada. Uma nova era que iria revolucionar todo o modo de produção e proporcionar inúmeros recursos aos cineastas, com grandes mudanças nos planos econômico, técnico, industrial e artístico, tornando os filmes mais atraentes. Mas os custos de produção aumentaram e um dos recursos da indústria foi dividir os programas de produção de filmes em gêneros. Os dois gêneros mais favorecidos foram a comédia musical e a comédia musicada, além do western – onde pontificou o mestre JOHN FORD –, caracterizando, nos anos seguintes, a produção norte-americana.

1930/1939 – A DÉCADA DE GRANDES PRODUÇÕES
Com o advento do cinema sonoro, a partir de outubro de 1927, a produção americana experimentou uma nova era, com uma revolução no nível técnico, nas condições e nos métodos dos trabalhos dos estúdios. Embora no início do sonoro a preferência dos realizadores fosse para o espetáculo musical, outros gêneros tiveram notável progresso, como a comédia (ligeira, sofisticada ou burlesca), o policial, a aventura, o romance, bem como filmes de guerra e de faroeste, além de adaptações de livros etc.

 A recessão dos anos 1930, advinda do crash da Bolsa de Wall Street, em outubro de 1929, afetou, no início, os grandes produtores, com alguns reduzindo suas atividades em mais de cinquenta por cento. Foram feitos vários filmes de orçamento reduzido. Como havia problemas de aceitação, no exterior, dos filmes originais (legendas? Nem pensar!), provocando queda nas vendas, estes passaram a ter versões sonoras adequadas aos idiomas de destino. Em novembro de 1933, Roosevelt é eleito e, com o apoio do povo, implanta o New Deal, política de reformas sociais e econômicas que iria promover lenta e contínua recuperação da economia norte-americana. Uma certa fantasia e conformismo marcou a produção cinematográfica durante os anos do New Deal.

No fim da década de 1930, a Polônia é invadida por Hitler e os americanos, que estavam saindo da depressão, têm em mãos outro problema: a II Guerra Mundial. Configurou-se, assim, uma ocasião ideal para a indústria do divertimento e do escapismo. O ano dourado da década é 1939, com vários clássicos imperdíveis. A seguir, faremos um breve resumo dos melhores filmes.

A década se inicia timidamente em 1930 e o destaque fica apenas com o filme de Lewis Milestone, Sem novidade no front, adaptação cinematográfica do conto pacifista de Erich Maria Remarque, que conta a experiência e a desilusão de sete jovens soldados alemães, voluntários para lutar na I Guerra Mundial. Em 1931, temos a obra-prima de Charles Chaplin, Luzes da Cidade, onde Carlitos fica apaixonado por florista cega e consegue, a duras penas, pagar a operação para devolver-lhe a visão; há, ainda, cenas antológicas de sua amizade com um milionário que o trata como amigo quando está bêbado e o escorraça quando está sóbrio. Filme mudo, em plena era do som, supera, em muitos pontos, o ganhador do Oscar do ano: Cimarron.

Outro filme de destaque, em 1931, é Frankenstein, de James Whale, clássico pioneiro de terror, baseado no romance de Mary Shelley. É uma obra com forte influência de filmes mudos do expressionismo alemão, notadamente O monstro de Barro (1920), além de Nosferatu (1922) e O gabinete do dr. Caligari (1919). Nele, Boris Karloff atinge o estrelato com a interpretação do monstro imprevisível e atormentado que às vezes causa medo, mas é digno de pena.

Uma obra-prima de 1931 é Tabu, de F. W. Murnau, filmado no Taiti em 1929. Casal de nativos tem seu amor interrompido quando a mulher é escolhida para ser consagrada aos deuses, passando a ser tabu para os homens. Murnau faleceu dias antes da estreia do filme. Segundo alguns, foi vítima de uma maldição do sacerdote do Taiti, que não gostou de algumas cenas que foram filmadas.
Tivemos, ainda, em 1931, um ótimo curta-metragem de Stan Laurel e Oliver Hardy (o gordo e o magro): Um amigo trapalhão.