Setembro já foi, outubro chegou. E com ele, as
chuvas. Estes são os meses que marcam o início da época das águas. A época de
se plantar no Brasil. Depois de muita seca – nem tanto assim, já que foi um
inverno bastante chuvoso – esperamos, agora, o início da época das águas e, com
isso, bastante chuva para o solo, para as plantas e para nós também. Pois é,
caro leitor, vou reproduzir, ou melhor, reescrever um texto que trata de um
assunto muito importante para os amantes da jardinagem: a água.
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UM OLHAR SOBRE A PRODUÇÃO DE FLORES E PLANTAS ORNAMENTAIS NO BRASIL E NO MUNDO
Quando
o assunto é floricultura e plantas ornamentais, os países que mais se destacam
no planeta são a Holanda, o Japão e os Estados Unidos.
Esses três detém, mais ou menos, a metade da produção mundial. Como se isso não
bastasse, cerca de 25% de toda a área destinada ao cultivo de flores e plantas
ornamentais está também nas mãos, ou melhor, nas terras desses três países. A
Holanda se destaca como o maior produtor em nível de excelência de seus
produtos, além de manter os maiores investimentos em pesquisa, desenvolvimento,
logística e distribuição deles. Os números que envolvem a produção e
distribuição de produtos tão perecíveis não deixam dúvidas de que se trata de
um negócio bastante lucrativo. Na América Latina, os países que se destacam são
a Colômbia (com produção de rosas de excelente qualidade), o Equador e a Costa
Rica.
AS PLANTAS E O INVERNO
A estação mais fria do ano começou no dia 21 de junho. Completou um mês há pouco e neste ano de 2013 mostrou algo diferente para nós. Um inverno mais frio do que os últimos anos e muito menos seco, ou seja, mais chuvoso. Eu diria até bastante chuvoso, se comparado aos últimos anos. Disse isso porque normalmente é uma estação em que a disponibilidade de água fica mais reduzida para as espécies vegetais. Mas vamos nos ater à diminuição da temperatura, a fim de falar aqui das plantas que preferem essa estação do ano para florescer, como a congeia, a azaleia e a caliandra, ótimas para serem apreciadas nestas épocas mais frias. São espécies perenes que florescem de forma espetacular nos meses do inverno.
A FESTA DO PINHÃO
Para
comemorar essa época de festas tão tradicionais Brasil adentro, resolvi
republicar um artigo bastante interessante para os amantes de árvores. Vamos
ler novamente.
Junho
e julho são meses tradicionais na cultura brasileira. De Norte a Sul do país,
mas principalmente no nordeste brasileiro, as festas com comidas típicas,
danças e fantasias arrastam multidões pelos interiores iluminados por fogueiras
sob estrelas. No Rio de Janeiro, essas tradições passam quase nulas, mas, ainda
assim, numa festa ou outra, resiste a tradição das comidas típicas das famosas
festas em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro. Sim, estamos falando
das famosas festas juninas que se estendem até meados de
julho.
No
Sul do Brasil, principalmente lá, ou nem tão longe assim, aqui bem mais perto, na serra fluminense, por
essa época, encerra-se o ciclo de
colheita da pinha ou pinhão, nada mais do que o fruto do pinheiro do Paraná, ou
a Araucaria angustifólia, conhecido
comumente como Araucária, a árvore que, quando adulta, pode atingir até 50
metros de altura e é símbolo do estado do Paraná, no Sul do país.
ROBERTO BURLE MARX
Olá, leitor. No último artigo, escrevi aqui sobre os fatores inerentes à criação de projetos de paisagismo. E, como prometido, essa coluna agora vai falar de um criador de projetos. De um dos mais renomados paisagistas que esse país já teve. Um dos brasileiros mais reconhecidos no mundo. Um gênio da arte em suas várias formas: Roberto Burle Marx. O criador do Aterro do Flamengo, para ficar somente nesse exemplo de grandiosidade em termos de projeto de paisagismo. Você conhece o Sítio Burle Marx? Não? O que está esperando? Ele fica ali, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, mais precisamente no caminho que leva a uma das praias mais espetaculares dessa cidade, a de Grumari. O local? Barra de Guaratiba. Ali, no Sítio de Santo Antônio da Bica – como era originalmente chamado – Burle Marx morou por muitos anos e pôde deixar para os cariocas, brasileiros e outros cidadãos do mundo um pouco do seu pensamento, de suas ideias, de sua maneira de ver o mundo, a arte, as plantas, o paisagismo.
PROJETOS DE PAISAGISMO
Você que já passeou pelo Campo de Santana ou pelo Aterro do Flamengo? Já se
perguntou como tudo aquilo foi criado? Conhece os autores desses dois projetos
fenomenais de paisagismo urbano? Já imaginou quantas questões estão envolvidas
na criação e concepção de parques no meio do caos urbano? E ainda tendo que
pensar num futuro com crescimento acelerado da população? Não?
INVISTA NO SEU JARDINEIRO: O RETORNO É GARANTIDO
Ainda
da série de colunas que merecem ser lidas outra vez, uma que já ocupou esse
espaço em 2008 e continua atual é esta. Invista no seu jardineiro. Vejamos
abaixo os motivos.
Cada vez mais, a
população – em especial a brasileira – preocupa-se com a qualidade de vida e as
pessoas se interessam por assuntos ligados à preservação do ambiente. Com isso,
tentam amenizar os efeitos do estresse causado nos grandes centros
urbanos.
O
paisagismo é uma atividade em constante crescimento no nosso país, uma vez que
ele contribui diretamente para a atenuação dos efeitos maléficos do estresse
das grandes cidades. Assim, a procura por este serviço vem aumentando cada vez
mais.
De carona com o
crescimento do paisagismo, outros mercados também evoluem de forma direta ou
indireta. É o caso da produção de plantas ornamentais, ferramentas, produtos
para irrigação, vasos, insumos (fertilizantes, corretivos e defensivos contra
pragas e doenças em plantas ornamentais), além do mercado da publicidade e
propaganda e da jardinagem entre outros.
Lamentavelmente,
a jardinagem não cresce com a mesma base de conhecimento da atividade
paisagística. Bons jardineiros ainda hoje são conseguidos em verdadeiras
“loterias”.
Normalmente
são pessoas que já tiveram um maior envolvimento com a produção de mudas de
plantas ornamentais, serviços de manutenção em geral ou foram criadas neste
meio, tendo muitas das vezes um parente jardineiro, que foi, na verdade, o
grande disseminador de todo o conhecimento adquirido. Para piorar a questão,
esse indivíduo, com perfil mais rural e com cunho para jardinagem está cada vez
mais raro. Dessa forma há o perigo da crescente expansão da formação do
jardineiro, sem nenhum ou equivocado embasamento técnico profissional, pois
muitos deles vieram de outros ramos, como a construção civil e a prestação de
serviços.
A
grande maioria dos jardineiros de hoje são muito empíricos, ou simplesmente
desconhecem de forma absoluta as reais necessidades do sistema solo – planta
–atmosfera. Várias práticas
e manejos necessários à execução e condução de um belo jardim não são dominadas
ou, na maioria das vezes, aplicadas de forma inadequada. Dentre elas, as podas,
a correta identificação de uma praga ou doença, adubação de plantio e
manutenção, plantio de uma árvore, manutenção de gramados etc.
Existe
uma necessidade gritante por mão de obra de boa qualidade para acompanhar o
mercado paisagístico. De nada adianta um belo projeto paisagístico se, no
momento da execução dos jardins, a equipe deixa a desejar por falta de
conhecimento. O projeto nunca demonstrará sua total beleza.
Pouquíssimas
escolas de jardinagem existem no Brasil. São Paulo detém a maioria delas, mas
ainda assim não são suficientes para cumprir a demanda. O Rio de Janeiro vem
logo a seguir em número de cursos de jardinagem.
Investir
em formação e qualificação de mão de obra tem retorno garantido. Prova disso é
que nos países desenvolvidos tais medidas já são aplicadas há tempos, trazendo
ótimos resultados.
Um
funcionário qualificado produz com mais qualidade e menor tempo, representando
economia e produtividade, reduzindo o desperdício e aumentando a eficiência e a
agilidade do trabalho. Ganha o empregador com o melhor atendimento ao público e
lucratividade. Além destas vantagens, o convívio com um funcionário satisfeito
é sempre mais saudável para ambas as partes. O seu jardim? Ele agradece e
retribui com beleza e cor.
Fabio Freitas
USO DE RESÍDUOS EM JARDINS
Um tema recorrente na agricultura é a utilização de resíduos. Após
a implementação da nova política nacional de resíduos sólidos (2010) não
escrevi nada mais sobre esse tema. Assim, decidi reproduzir um texto escrito
aqui, nesse cantinho, em 2009. Vamos a ele.
A disposição de resíduos no meio ambiente tem
sido uma das preocupações da sociedade moderna, que busca, por meio de
mecanismos legais, o desenvolvimento sustentável, com a menor geração possível
deles. A caracterização destes passivos e suas possíveis formas de reutilização
é uma exigência legal que traz consigo responsabilidades não só ambientais, mas
também sociais e econômicas, uma vez que muitos desses resíduos podem trazer
benefícios aos solos tropicais intemperizados, comuns no Brasil, promovendo
ciclagem de nutrientes na produção vegetal (resíduos com característica de
fertilizante) ou mesmo a elevação do pH (resíduos alcalinos, por exemplo),
tornando terras antes impróprias ao cultivo, por conta da presença de alumínio
tóxico e potencial de hidrogênio baixo, outra vez aptas às suas funções sociais
básicas.
Desta forma, torna-se importante saber a
procedência e/ou a caracterização do resíduo que se tem ou mesmo se adquire de
alguma forma, antes de sair aplicando em seu jardim. Resíduos orgânicos (restos
vegetais, sobras ou cascas de alimentos, excrementos de animais etc.), são
materiais importantes que contribuem para a nutrição das plantas ornamentais.
Mas é preciso critério na aplicação destes, pois o ideal é que esses resíduos
estejam já curados (maturados completamente) ou, ao menos, em estado avançado
de decomposição – o que é normalmente conseguido com a utilização de processos
de compostagem – e, principalmente, de uma análise de solo prévia.
Em se tratando de resíduos oriundos de processos
industriais, é preciso que eles tenham selo de aprovação do Ministério da
Agricultura e do Abastecimento para que sua comercialização seja legal e
obedeça a critérios de segurança e saúde para o consumidor. Geralmente, os processos
industriais são obtidos com a adição de diferentes elementos químicos e, com
isso, podem gerar resíduos potencialmente perigosos, por conter sobras desses
elementos. Assim, o uso desses resíduos pode causar contaminação das águas, do
ar e do solo principalmente.
De um modo geral, os jardins são
cultivados em solos previamente analisados por profissionais que sabem da
importância de um bom preparo e da adição de matéria orgânica. As plantas
normalmente respondem bem e o solo se torna mais fértil, além de ter
substancialmente aumentada a sua capacidade de retenção d'água. Entretanto é
preciso sempre critério e cuidado com as fontes de matéria orgânica. Na dúvida,
consulte sempre um agrônomo. O meio ambiente e o seu jardim agradecem.
O VERÃO ESTÁ AÍ
Acho
que ninguém mais em nossa cidade duvida que o calor veio para ficar no Rio até
março. São temperaturas batendo na casa dos 40, 42 graus. A estação mais quente
do ano chegou e com ela o seu jardim vai ganhar mais força e mais verde, principalmente
o seu gramado. O porquê disso tudo é que, nesta época do ano, há mais luz e
mais água para as plantas, como em nenhuma outra estação do ano.
Se
você não sabe, caro leitor, planta é 95% água. Os outros
5% são os sólidos (nutrientes essenciais). Como no verão as chuvas ocorrem com
mais intensidade, o crescimento vegetativo se dá de forma acelerada, claro em
razão também da maior intensidade do brilho solar. Sim, estamos falando da
fotossíntese, processo vital para a vida na Terra, que consiste na
transformação de energia luminosa em energia química e que utiliza, além da luz
solar, água e gás carbônico, o famigerado gás causador do efeito estufa.
Agora
você vai perceber o motivo de a sua grama crescer de forma mais acentuada nesta
estação do ano que nas outras. Mas todo o cuidado é pouco com as plantas
ornamentais nesta época do ano. Chuva demais e o calor excessivo podem
debilitar ou mesmo estressar as espécies; portanto, fique atento às dicas de
verão, para manter seu jardim saudável e vivo.
Em primeiro
lugar, está aqui uma ótima época para se podar suas espécies. Sim, com maior
disponibilidade de água e luz, as plantas têm mais chance de se recuperar dos
cortes. A poda é uma adaptação humana, muitos vegetais não precisam desta
prática. Entretanto, algumas frutíferas respondem muito bem quando submetidas a
esse manejo. Vale ressaltar que é preciso conhecer a fisiologia da espécie, ou
seja, sua época de floração e frutificação, para aplicação desse manejo, pois
muitas requerem poda em épocas diferentes
da que estamos agora.
A
segunda dica é a de troca do substrato das suas espécies. Como foi dito neste
momento, a maior quantidade de alimento para os vegetais facilita esse manejo.
A
terceira dica está na quantidade de água na rega. Faça isso sempre nas horas
mais frescas do dia, evite molhar as plantas no meio do dia.
Outra
dica é ficar atento para as pragas e doenças que, assim como luz e água, estão
em maior profusão também nesta estação. O calor e a umidade excessiva provocam
o aparecimento de muitas doenças e insetos indesejáveis. Olho aberto com suas
plantas.
No
mais, mantenha-se informado com nossas dicas durante todo esse novo ano que se
anuncia. Feliz 2013 para todos nós.
OS NOMES DAS PLANTAS ORNAMENTAIS
Todo
ser vivo possui uma identificação, que é reconhecida em qualquer lugar do
planeta. A isso chamamos nome científico ou nome latino, que segue regras do
Código Internacional de Nomenclatura Botânica. É assim que as plantas são
identificadas nos quatro cantos do mundo. Além de pertencer a uma família
botânica, cada espécie vegetal é também agrupada em gênero e espécie. E o nome
científico de uma planta é sempre um nome composto, formado por duas palavras,
que têm origem no latim ou no grego. O gênero é uma categoria que reúne
espécies semelhantes e tem o primeiro nome começando com uma letra maiúscula. A
espécie (o segundo nome, com todas as letras minúsculas) designa o indivíduo
único. É assim que as plantas são organizadas, segundo a botânica. Claro que
essa organização está de acordo com características inerentes a cada família
botânica, como, por exemplo, as leguminosas, que possuem frutos contidos em
vagens.
É
lógico que há muito mais por detrás disso. Estudos em nível molecular reagrupam
plantas em novas famílias ou mesmo mudam seus nomes, como a recente troca de Gramineae por Poaceae. As gramas, antes agrupadas nas famílias das gramíneas,
agora pertencem às poáceas. Outra mudança ocorreu com as palmeiras que agora são
arecáceas (Arecaceae) e antes eram
das palmáceas (Palmae).
As
plantas ornamentais possuem muitos nomes populares e, frequentemente, recebem
mais de um nome popular num mesmo estado ou região. O uso do nome científico
acaba com essa confusão e não deixa dúvida sobre que planta realmente se
procura. Isso é muito importante para se buscar informações corretas na
literatura sobre o que se deseja cultivar.
Foi
um naturalista sueco que acabou com essa farra de nomes que não identificavam
as plantas em todo o mundo. Carl Linnaeus, mais conhecido como Lineu
(1707-1778), é, até hoje, considerado o pai da Botânica. Ele descreveu, de sua
própria coleção, mais de 12 mil espécies de plantas e de animais. Somos todos
muito gratos a ele. Graças a Lineu, podemos buscar informações preciosas sobre
forma de plantio, época da floração, formas de propagação, porte e
desenvolvimento de diversas plantas ornamentais que enchem nosso jardim de
alegria.
Fabio
Fabio
O paisagismo
Já
escrevi neste espaço sobre os diferentes estilos de jardim, de paisagismo. Vou
retomar o tema, para jogar mais luz a essa profissão tão nova e tão especial.
No
paisagismo, os profissionais trabalham criando espaços, aliando técnica e arte
na construção de jardins que podem ser públicos ou não. A construção do jardim
deve não só contemplar beleza, mas também a funcionalidade. Quando falamos de
arte e técnica e todas as interações que essas variáveis podem proporcionar,
devemos nos embasar também na história da humanidade, que se confunde com a
evolução da música, da literatura e da pintura. Os jardins, de forma direta ou
indireta, sempre estiveram presentes na história do homem e, com a introdução
de conceitos modernos de agricultura, os projetos paisagísticos ganharam força
e se tornaram sinônimo de qualidade de vida, porque corroboram conceitos de
preservação ambiental e modernidade.
O
paisagismo se desenvolveu a partir do crescimento da classe média nos Estados
Unidos e em países da Europa, que buscavam a criação de espaços públicos para
lazer e recreação.
Em
países como o Canadá, a França ou Estados Unidos, o paisagismo tem curso de
formação superior, e o desenvolvimento, sobretudo urbano, de cidades daqueles
países tem projetos sérios e bem arquitetados para a harmonia entre o homem e
as plantas.
Como
podemos então perceber, o paisagismo não deve e não pode ser confundido como
uma forma simples de se fazer jardinagem. É preciso bem mais do que isso. O
preenchimento dos espaços e a criação de áreas demandam um diversificado
conhecimento adquirido, e ciências como a matemática, a biologia e a agronomia,
entre outras, se fazem presentes na maior parte das aplicações técnicas. A arte
está na sensibilidade de cada profissional, na sua capacidade de enxergar mais
longe, no exercício diário de aliar harmonia e funcionalidade, visando sempre
bem-estar e preservação.
Normalmente,
o que se propõe num curso de paisagismo é o estudo da técnica, como base
fundamental de lançamento para o exercício de se pensar e planejar. O critério
e as formas, além das cores das inúmeras opções de plantas ornamentais, são
abordados, bem como as combinações que devem ser evitadas.
Dessa
forma, não se furte a conhecer e praticar paisagismo e jardinagem. O critério é
sempre técnico, mas a organização dos espaços deve ser sempre a tradução da
relação harmônica entre o homem e a natureza.
Se
você precisar de inspiração, faça uma visita ao Aterro do Flamengo, conheça de
perto a obra de Roberto Burle Marx. Sua primeira aula é totalmente de graça,
basta apenas observar.
Paisagismo com Fabio Cardoso
Paisagismo com Fabio Cardoso
Arborização urbana
As
árvores e palmeiras são realmente importantes no paisagismo urbano e trazem
grande satisfação e beleza, sem contar com a imponência e maior frescor
proporcionados aos ambientes. Porém essas espécies têm sido usadas de forma
indevida no paisagismo urbano carioca e não é raro observar transtornos
causados por esses vegetais, principalmente no verão, quando ficamos sujeitos
às chuvas fortes, sempre acompanhadas de rajadas de vento, também bastante
comuns nessa época do ano.
O
conhecimento técnico é fundamental. São informações que envolvem conhecimentos
básicos de fisiologia vegetal e botânica, informações preciosas como, por
exemplo, seu porte (tamanho que a espécie vegetal vai alcançar na sua idade
adulta), hábito de crescimento (tipo e conformação da copa), tipo de raízes (se
são raízes profundas – ditas pivotantes) ou raízes que exploram pouco volume de
solo (chamadas de fasciculadas – raízes concentradas e pouco profundas) e
caráter da folha (se a espécie perde as folhas em determinada época do ano –
chamadas de caducas).
O
plantio de um vegetal de grande porte implica em ter esses conhecimentos
básicos que nortearão a tomada de decisão da melhor planta para cada tipo de
jardim. Portanto, a decisão da inserção dessas árvores ou palmeiras no projeto
paisagístico, seja ele urbano ou residencial, deve sempre aliar técnica e arte
e não pura e simplesmente a beleza e a estética.
Vamos
tomar como exemplo apenas uma espécie de árvore e uma de palmeira, para que
tenhamos noção do assunto e não tornar esse texto um pergaminho, uma vez que o
problema é mais sério do que pode imaginar o caríssimo leitor.
A
amendoeira (Terminalia catappa) é uma
árvore de grande porte, originária da Ásia, que hoje ocupa de forma maciça as
ruas e praças de todo o Rio de Janeiro. A espécie tem crescimento vigoroso,
normalmente alcançando dez metros de altura ou mais. Possui uma copa em forma
de guarda-chuva, com folhas grandes que sempre caem nessa época do ano,
entupindo ralos e bueiros da nossa cidade. Suas raízes são profundas
(pivotantes) e sempre causam transtornos aos transeuntes, seja por esburacarem
completamente as calçadas ou por simplesmente se tornarem verdadeiros
obstáculos à passagem, uma vez que elas (as raízes), invariavelmente sobressaem
em relação ao solo. Nem vou citar aqui os problemas em relação a encanamentos
de água e esgoto e fiação elétrica. Morcegos são atraídos pelos seus frutos e
quando estes caem, podem machucar quem está embaixo ou simplesmente atingir
carros que eventualmente estejam estacionados sob sua generosa sombra. Esse
talvez seja o único motivo que levou essa espécie a ser plantada de forma
exagerada no Rio, sua sombra. Mas, como foi dito, faltou critério técnico a
quem plantou essas árvores, já que existem espécies mais adequadas para
passeios públicos sob fiação aérea e que além de reunir outras características
desejáveis para tal, são muito mais belas, como a quaresmeira (Tibouchina granulosa), que é oriunda da
Mata Atlântica, portanto brasileiríssima.
E as
palmeiras? Não preciso escrever aqui do coco, fruto do coqueiro (Cocos nucifera), que ao cair, cheio de
água e pesado pode causar acidentes graves.
Quero
falar da Palmeira imperial, que está sendo plantada de forma inadequada e
perigosa em algumas ruas da cidade, no passeio público e até em avenidas de
grande fluxo de automóveis. A Roystonea
oleracea, nome científico dessa belíssima palmeira que, no seu porte menor,
atinge 15 metros de altura, ao perder sua folha, pode também machucar quem
trafega embaixo. Carros e pedestres não estão imunes. A queda de uma altura de
15 metros faz com que a folha aumente consideravelmente seu peso podendo
realmente machucar.
Assim
como o exemplo dado à árvore, existem também, espécies de palmeiras que
certamente trariam menos riscos e igualmente beleza e imponência aos projetos
paisagísticos e seus jardins espalhados pela cidade. O que se precisa é ter
embasamento técnico e bom senso. Porque em se tratando de paisagismo urbano,
com plantas ornamentais de grande porte e seus inúmeros conflitos, a beleza é
apenas mais um critério.
UM JARDIM COLORIDO MESMO NO OUTONO
Uma
leitora especial me disse que olhar um jardim colorido pode ajudar a começar
bem o dia. Principalmente os dias que marcarão os próximos meses.
Após
um verão repleto de dias ensolarados e pouca ou nenhuma nuvem no céu, chegou
uma nova estação. O outono. E então? Como fazer para deixar o seu jardim
colorido nos meses de abril, maio e junho?
Antes,
porém, é preciso lembrar que, neste período, os dias começam a ficar mais
curtos e as noites mais longas. E daí? Existem plantas que florescem em dias
assim? Sim, vamos a elas.
As
begônias são muito cultivadas em vasos e possuem diferentes tonalidades de
cores nas suas flores. Possuem flores na cor amarelo-rosa, laranja e vermelho,
florescendo sempre no outono. Embora possam florescer mais de uma vez ao ano,
essas plantas não expressam toda a beleza da floração de outono.
A
azaleia é outra planta famosa pela beleza e floração neste período do ano. Suas
flores podem adquirir tonalidades rosa e lilás.
As
camélias também estão nessa gama de plantas que florescem no outono. Assim como
a azaleia, é uma planta que pode atingir um porte elevado, se cultivada em
áreas livres. Suas flores – muito bonitas – são em tom branco e rosa.
A
flor-de-maio, com seus tons que variam de rosa ou um tanto quanto salmão,
passando por um branco e até mesmo um leve vermelho, é uma belíssima opção.
Pode ser cultivada em vasos suspensos e é muito resistente.
A
quaresmeira é outra que dá o ar da graça nesta época do ano. Inclusive seu nome
popular não é à toa. Essa espécie de árvore e/ou arvoreta, nativa da mata
atlântica, já foi objeto central de uma de nossas colunas mensais.
Pelos
exemplos, foi possível perceber que há espécies que variam tanto no porte
quanto na classe de vegetação. Ou seja, não há desculpas para não se buscar um
jardim florido nesta nova estação, seja ele de pequeno ou maior porte. O que
importa é a satisfação de ver diferentes espécies expressando sua maior beleza
nesta época, com diferentes cores, formas e tamanhos.
E
você? O que está esperando para começar a encher sua vida e seu jardim de
flores?
Vamos
lá. Já é outono no Hemisfério Sul do planeta. Boa sorte e bom plantio.
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