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A REGA DAS PLANTAS - Por Fabio Freitas - outubro 2013



Setembro já foi, outubro chegou. E com ele, as chuvas. Estes são os meses que marcam o início da época das águas. A época de se plantar no Brasil. Depois de muita seca – nem tanto assim, já que foi um inverno bastante chuvoso – esperamos, agora, o início da época das águas e, com isso, bastante chuva para o solo, para as plantas e para nós também. Pois é, caro leitor, vou reproduzir, ou melhor, reescrever um texto que trata de um assunto muito importante para os amantes da jardinagem: a água. 

UM OLHAR SOBRE A PRODUÇÃO DE FLORES E PLANTAS ORNAMENTAIS NO BRASIL E NO MUNDO


Quando o assunto é floricultura e plantas ornamentais, os países que mais se destacam no planeta são a Holanda, o Japão e os Estados Unidos. Esses três detém, mais ou menos, a metade da produção mundial. Como se isso não bastasse, cerca de 25% de toda a área destinada ao cultivo de flores e plantas ornamentais está também nas mãos, ou melhor, nas terras desses três países. A Holanda se destaca como o maior produtor em nível de excelência de seus produtos, além de manter os maiores investimentos em pesquisa, desenvolvimento, logística e distribuição deles. Os números que envolvem a produção e distribuição de produtos tão perecíveis não deixam dúvidas de que se trata de um negócio bastante lucrativo. Na América Latina, os países que se destacam são a Colômbia (com produção de rosas de excelente qualidade), o Equador e a Costa Rica.

AS PLANTAS E O INVERNO



A estação mais fria do ano começou no dia 21 de junho. Completou um mês há pouco e neste ano de 2013 mostrou algo diferente para nós. Um inverno mais frio do que os últimos anos e muito menos seco, ou seja, mais chuvoso. Eu diria até bastante chuvoso, se comparado aos últimos anos. Disse isso porque normalmente é uma estação em que a disponibilidade de água fica mais reduzida para as espécies vegetais. Mas vamos nos ater à diminuição da temperatura, a fim de falar aqui das plantas que preferem essa estação do ano para florescer, como a congeia, a azaleia e a caliandra, ótimas para serem apreciadas nestas épocas mais frias. São espécies perenes que florescem de forma espetacular nos meses do inverno. 

A FESTA DO PINHÃO



Para comemorar essa época de festas tão tradicionais Brasil adentro, resolvi republicar um artigo bastante interessante para os amantes de árvores. Vamos ler novamente.
Junho e julho são meses tradicionais na cultura brasileira. De Norte a Sul do país, mas principalmente no nordeste brasileiro, as festas com comidas típicas, danças e fantasias arrastam multidões pelos interiores iluminados por fogueiras sob estrelas. No Rio de Janeiro, essas tradições passam quase nulas, mas, ainda assim, numa festa ou outra, resiste a tradição das comidas típicas das famosas festas em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro. Sim, estamos falando das famosas festas juninas que se estendem até meados de julho.
No Sul do Brasil, principalmente lá, ou nem tão longe assim,  aqui bem mais perto, na serra fluminense, por essa época,  encerra-se o ciclo de colheita da pinha ou pinhão, nada mais do que o fruto do pinheiro do Paraná, ou a Araucaria angustifólia, conhecido comumente como Araucária, a árvore que, quando adulta, pode atingir até 50 metros de altura e é símbolo do estado do Paraná, no Sul do país. 

ROBERTO BURLE MARX

Olá, leitor. No último artigo, escrevi aqui sobre os fatores inerentes à criação de projetos de paisagismo. E, como prometido, essa coluna agora vai falar de um criador de projetos. De um dos mais renomados paisagistas que esse país já teve. Um dos brasileiros mais reconhecidos no mundo. Um gênio da arte em suas várias formas: Roberto Burle Marx. O criador do Aterro do Flamengo, para ficar somente nesse exemplo de grandiosidade em termos de projeto de paisagismo. Você conhece o Sítio Burle Marx? Não? O que está esperando? Ele fica ali, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, mais precisamente no caminho que leva a uma das praias mais espetaculares dessa cidade, a de Grumari. O local? Barra de Guaratiba. Ali, no Sítio de Santo Antônio da Bica – como era originalmente chamado – Burle Marx morou por muitos anos e pôde deixar para os cariocas, brasileiros e outros cidadãos do mundo um pouco do seu pensamento, de suas ideias, de sua maneira de ver o mundo, a arte, as plantas, o paisagismo.

PROJETOS DE PAISAGISMO

Você que já passeou pelo Campo de Santana ou pelo Aterro do Flamengo? Já se perguntou como tudo aquilo foi criado? Conhece os autores desses dois projetos fenomenais de paisagismo urbano? Já imaginou quantas questões estão envolvidas na criação e concepção de parques no meio do caos urbano? E ainda tendo que pensar num futuro com crescimento acelerado da população? Não? 

INVISTA NO SEU JARDINEIRO: O RETORNO É GARANTIDO



Ainda da série de colunas que merecem ser lidas outra vez, uma que já ocupou esse espaço em 2008 e continua atual é esta. Invista no seu jardineiro. Vejamos abaixo os motivos.
Cada vez mais, a população – em especial a brasileira – preocupa-se com a qualidade de vida e as pessoas se interessam por assuntos ligados à preservação do ambiente. Com isso, tentam amenizar os efeitos do estresse causado nos grandes centros urbanos.  

O paisagismo é uma atividade em constante crescimento no nosso país, uma vez que ele contribui diretamente para a atenuação dos efeitos maléficos do estresse das grandes cidades. Assim, a procura por este serviço vem aumentando cada vez mais. 

De carona com o crescimento do paisagismo, outros mercados também evoluem de forma direta ou indireta. É o caso da produção de plantas ornamentais, ferramentas, produtos para irrigação, vasos, insumos (fertilizantes, corretivos e defensivos contra pragas e doenças em plantas ornamentais), além do mercado da publicidade e propaganda e da jardinagem entre outros.

Lamentavelmente, a jardinagem não cresce com a mesma base de conhecimento da atividade paisagística. Bons jardineiros ainda hoje são conseguidos em verdadeiras “loterias”. 

Normalmente são pessoas que já tiveram um maior envolvimento com a produção de mudas de plantas ornamentais, serviços de manutenção em geral ou foram criadas neste meio, tendo muitas das vezes um parente jardineiro, que foi, na verdade, o grande disseminador de todo o conhecimento adquirido. Para piorar a questão, esse indivíduo, com perfil mais rural e com cunho para jardinagem está cada vez mais raro. Dessa forma há o perigo da crescente expansão da formação do jardineiro, sem nenhum ou equivocado embasamento técnico profissional, pois muitos deles vieram de outros ramos, como a construção civil e a prestação de serviços.  

A grande maioria dos jardineiros de hoje são muito empíricos, ou simplesmente desconhecem de forma absoluta as reais necessidades do sistema solo – planta –atmosfera. Várias práticas e manejos necessários à execução e condução de um belo jardim não são dominadas ou, na maioria das vezes, aplicadas de forma inadequada. Dentre elas, as podas, a correta identificação de uma praga ou doença, adubação de plantio e manutenção, plantio de uma árvore, manutenção de gramados etc. 

Existe uma necessidade gritante por mão de obra de boa qualidade para acompanhar o mercado paisagístico. De nada adianta um belo projeto paisagístico se, no momento da execução dos jardins, a equipe deixa a desejar por falta de conhecimento. O projeto nunca demonstrará sua total beleza.     

Pouquíssimas escolas de jardinagem existem no Brasil. São Paulo detém a maioria delas, mas ainda assim não são suficientes para cumprir a demanda. O Rio de Janeiro vem logo a seguir em número de cursos de jardinagem.

Investir em formação e qualificação de mão de obra tem retorno garantido. Prova disso é que nos países desenvolvidos tais medidas já são aplicadas há tempos, trazendo ótimos resultados.
Um funcionário qualificado produz com mais qualidade e menor tempo, representando economia e produtividade, reduzindo o desperdício e aumentando a eficiência e a agilidade do trabalho. Ganha o empregador com o melhor atendimento ao público e lucratividade. Além destas vantagens, o convívio com um funcionário satisfeito é sempre mais saudável para ambas as partes. O seu jardim? Ele agradece e retribui com beleza e cor.

Fabio Freitas

USO DE RESÍDUOS EM JARDINS




Um tema recorrente na agricultura é a utilização de resíduos. Após a implementação da nova política nacional de resíduos sólidos (2010) não escrevi nada mais sobre esse tema. Assim, decidi reproduzir um texto escrito aqui, nesse cantinho, em 2009. Vamos a ele.

A disposição de resíduos no meio ambiente tem sido uma das preocupações da sociedade moderna, que busca, por meio de mecanismos legais, o desenvolvimento sustentável, com a menor geração possível deles. A caracterização destes passivos e suas possíveis formas de reutilização é uma exigência legal que traz consigo responsabilidades não só ambientais, mas também sociais e econômicas, uma vez que muitos desses resíduos podem trazer benefícios aos solos tropicais intemperizados, comuns no Brasil, promovendo ciclagem de nutrientes na produção vegetal (resíduos com característica de fertilizante) ou mesmo a elevação do pH (resíduos alcalinos, por exemplo), tornando terras antes impróprias ao cultivo, por conta da presença de alumínio tóxico e potencial de hidrogênio baixo, outra vez aptas às suas funções sociais básicas. 

Desta forma, torna-se importante saber a procedência e/ou a caracterização do resíduo que se tem ou mesmo se adquire de alguma forma, antes de sair aplicando em seu jardim. Resíduos orgânicos (restos vegetais, sobras ou cascas de alimentos, excrementos de animais etc.), são materiais importantes que contribuem para a nutrição das plantas ornamentais. Mas é preciso critério na aplicação destes, pois o ideal é que esses resíduos estejam já curados (maturados completamente) ou, ao menos, em estado avançado de decomposição – o que é normalmente conseguido com a utilização de processos de compostagem – e, principalmente, de uma análise de solo prévia.

Em se tratando de resíduos oriundos de processos industriais, é preciso que eles tenham selo de aprovação do Ministério da Agricultura e do Abastecimento para que sua comercialização seja legal e obedeça a critérios de segurança e saúde para o consumidor. Geralmente, os processos industriais são obtidos com a adição de diferentes elementos químicos e, com isso, podem gerar resíduos potencialmente perigosos, por conter sobras desses elementos. Assim, o uso desses resíduos pode causar contaminação das águas, do ar e do solo principalmente.
De um modo geral, os jardins são cultivados em solos previamente analisados por profissionais que sabem da importância de um bom preparo e da adição de matéria orgânica. As plantas normalmente respondem bem e o solo se torna mais fértil, além de ter substancialmente aumentada a sua capacidade de retenção d'água. Entretanto é preciso sempre critério e cuidado com as fontes de matéria orgânica. Na dúvida, consulte sempre um agrônomo. O meio ambiente e o seu jardim agradecem.

O VERÃO ESTÁ AÍ

Acho que ninguém mais em nossa cidade duvida que o calor veio para ficar no Rio até março. São temperaturas batendo na casa dos 40, 42 graus. A estação mais quente do ano chegou e com ela o seu jardim vai ganhar mais força e mais verde, principalmente o seu gramado. O porquê disso tudo é que, nesta época do ano, há mais luz e mais água para as plantas, como em nenhuma outra estação do ano. 

Se você não sabe, caro leitor, planta é 95% água. Os outros 5% são os sólidos (nutrientes essenciais). Como no verão as chuvas ocorrem com mais intensidade, o crescimento vegetativo se dá de forma acelerada, claro em razão também da maior intensidade do brilho solar. Sim, estamos falando da fotossíntese, processo vital para a vida na Terra, que consiste na transformação de energia luminosa em energia química e que utiliza, além da luz solar, água e gás carbônico, o famigerado gás causador do efeito estufa.

Agora você vai perceber o motivo de a sua grama crescer de forma mais acentuada nesta estação do ano que nas outras. Mas todo o cuidado é pouco com as plantas ornamentais nesta época do ano. Chuva demais e o calor excessivo podem debilitar ou mesmo estressar as espécies; portanto, fique atento às dicas de verão, para manter seu jardim saudável e vivo.
Em primeiro lugar, está aqui uma ótima época para se podar suas espécies. Sim, com maior disponibilidade de água e luz, as plantas têm mais chance de se recuperar dos cortes. A poda é uma adaptação humana, muitos vegetais não precisam desta prática. Entretanto, algumas frutíferas respondem muito bem quando submetidas a esse manejo. Vale ressaltar que é preciso conhecer a fisiologia da espécie, ou seja, sua época de floração e frutificação, para aplicação desse manejo, pois muitas  requerem poda em épocas diferentes da que estamos agora.

A segunda dica é a de troca do substrato das suas espécies. Como foi dito neste momento, a maior quantidade de alimento para os vegetais facilita esse manejo.
A terceira dica está na quantidade de água na rega. Faça isso sempre nas horas mais frescas do dia, evite molhar as plantas no meio do dia.

Outra dica é ficar atento para as pragas e doenças que, assim como luz e água, estão em maior profusão também nesta estação. O calor e a umidade excessiva provocam o aparecimento de muitas doenças e insetos indesejáveis. Olho aberto com suas plantas.

No mais, mantenha-se informado com nossas dicas durante todo esse novo ano que se anuncia. Feliz 2013 para todos nós.

OS NOMES DAS PLANTAS ORNAMENTAIS

Todo ser vivo possui uma identificação, que é reconhecida em qualquer lugar do planeta. A isso chamamos nome científico ou nome latino, que segue regras do Código Internacional de Nomenclatura Botânica. É assim que as plantas são identificadas nos quatro cantos do mundo. Além de pertencer a uma família botânica, cada espécie vegetal é também agrupada em gênero e espécie. E o nome científico de uma planta é sempre um nome composto, formado por duas palavras, que têm origem no latim ou no grego. O gênero é uma categoria que reúne espécies semelhantes e tem o primeiro nome começando com uma letra maiúscula. A espécie (o segundo nome, com todas as letras minúsculas) designa o indivíduo único. É assim que as plantas são organizadas, segundo a botânica. Claro que essa organização está de acordo com características inerentes a cada família botânica, como, por exemplo, as leguminosas, que possuem frutos contidos em vagens. 

É lógico que há muito mais por detrás disso. Estudos em nível molecular reagrupam plantas em novas famílias ou mesmo mudam seus nomes, como a recente troca de Gramineae por Poaceae. As gramas, antes agrupadas nas famílias das gramíneas, agora pertencem às poáceas. Outra mudança ocorreu com as palmeiras que agora são arecáceas (Arecaceae) e antes eram das palmáceas (Palmae).

As plantas ornamentais possuem muitos nomes populares e, frequentemente, recebem mais de um nome popular num mesmo estado ou região. O uso do nome científico acaba com essa confusão e não deixa dúvida sobre que planta realmente se procura. Isso é muito importante para se buscar informações corretas na literatura sobre o que se deseja cultivar.
Foi um naturalista sueco que acabou com essa farra de nomes que não identificavam as plantas em todo o mundo. Carl Linnaeus, mais conhecido como Lineu (1707-1778), é, até hoje, considerado o pai da Botânica. Ele descreveu, de sua própria coleção, mais de 12 mil espécies de plantas e de animais. Somos todos muito gratos a ele. Graças a Lineu, podemos buscar informações preciosas sobre forma de plantio, época da floração, formas de propagação, porte e desenvolvimento de diversas plantas ornamentais que enchem nosso jardim de alegria.

Fabio

O paisagismo


Já escrevi neste espaço sobre os diferentes estilos de jardim, de paisagismo. Vou retomar o tema, para jogar mais luz a essa profissão tão nova e tão especial.

No paisagismo, os profissionais trabalham criando espaços, aliando técnica e arte na construção de jardins que podem ser públicos ou não. A construção do jardim deve não só contemplar beleza, mas também a funcionalidade. Quando falamos de arte e técnica e todas as interações que essas variáveis podem proporcionar, devemos nos embasar também na história da humanidade, que se confunde com a evolução da música, da literatura e da pintura. Os jardins, de forma direta ou indireta, sempre estiveram presentes na história do homem e, com a introdução de conceitos modernos de agricultura, os projetos paisagísticos ganharam força e se tornaram sinônimo de qualidade de vida, porque corroboram conceitos de preservação ambiental e modernidade.               

O paisagismo se desenvolveu a partir do crescimento da classe média nos Estados Unidos e em países da Europa, que buscavam a criação de espaços públicos para lazer e recreação.    
Em países como o Canadá, a França ou Estados Unidos, o paisagismo tem curso de formação superior, e o desenvolvimento, sobretudo urbano, de cidades daqueles países tem projetos sérios e bem arquitetados para a harmonia entre o homem e as plantas.

Como podemos então perceber, o paisagismo não deve e não pode ser confundido como uma forma simples de se fazer jardinagem. É preciso bem mais do que isso. O preenchimento dos espaços e a criação de áreas demandam um diversificado conhecimento adquirido, e ciências como a matemática, a biologia e a agronomia, entre outras, se fazem presentes na maior parte das aplicações técnicas. A arte está na sensibilidade de cada profissional, na sua capacidade de enxergar mais longe, no exercício diário de aliar harmonia e funcionalidade, visando sempre bem-estar e preservação.

Normalmente, o que se propõe num curso de paisagismo é o estudo da técnica, como base fundamental de lançamento para o exercício de se pensar e planejar. O critério e as formas, além das cores das inúmeras opções de plantas ornamentais, são abordados, bem como as combinações que devem ser evitadas.

Dessa forma, não se furte a conhecer e praticar paisagismo e jardinagem. O critério é sempre técnico, mas a organização dos espaços deve ser sempre a tradução da relação harmônica entre o homem e a natureza.  
Se você precisar de inspiração, faça uma visita ao Aterro do Flamengo, conheça de perto a obra de Roberto Burle Marx. Sua primeira aula é totalmente de graça, basta apenas observar.

 Paisagismo com Fabio Cardoso

Arborização urbana



As árvores e palmeiras são realmente importantes no paisagismo urbano e trazem grande satisfação e beleza, sem contar com a imponência e maior frescor proporcionados aos ambientes. Porém essas espécies têm sido usadas de forma indevida no paisagismo urbano carioca e não é raro observar transtornos causados por esses vegetais, principalmente no verão, quando ficamos sujeitos às chuvas fortes, sempre acompanhadas de rajadas de vento, também bastante comuns nessa época do ano.

O conhecimento técnico é fundamental. São informações que envolvem conhecimentos básicos de fisiologia vegetal e botânica, informações preciosas como, por exemplo, seu porte (tamanho que a espécie vegetal vai alcançar na sua idade adulta), hábito de crescimento (tipo e conformação da copa), tipo de raízes (se são raízes profundas – ditas pivotantes) ou raízes que exploram pouco volume de solo (chamadas de fasciculadas – raízes concentradas e pouco profundas) e caráter da folha (se a espécie perde as folhas em determinada época do ano – chamadas de caducas). 

O plantio de um vegetal de grande porte implica em ter esses conhecimentos básicos que nortearão a tomada de decisão da melhor planta para cada tipo de jardim. Portanto, a decisão da inserção dessas árvores ou palmeiras no projeto paisagístico, seja ele urbano ou residencial, deve sempre aliar técnica e arte e não pura e simplesmente a beleza e a estética.
Vamos tomar como exemplo apenas uma espécie de árvore e uma de palmeira, para que tenhamos noção do assunto e não tornar esse texto um pergaminho, uma vez que o problema é mais sério do que pode imaginar o caríssimo leitor.

A amendoeira (Terminalia catappa) é uma árvore de grande porte, originária da Ásia, que hoje ocupa de forma maciça as ruas e praças de todo o Rio de Janeiro. A espécie tem crescimento vigoroso, normalmente alcançando dez metros de altura ou mais. Possui uma copa em forma de guarda-chuva, com folhas grandes que sempre caem nessa época do ano, entupindo ralos e bueiros da nossa cidade. Suas raízes são profundas (pivotantes) e sempre causam transtornos aos transeuntes, seja por esburacarem completamente as calçadas ou por simplesmente se tornarem verdadeiros obstáculos à passagem, uma vez que elas (as raízes), invariavelmente sobressaem em relação ao solo. Nem vou citar aqui os problemas em relação a encanamentos de água e esgoto e fiação elétrica. Morcegos são atraídos pelos seus frutos e quando estes caem, podem machucar quem está embaixo ou simplesmente atingir carros que eventualmente estejam estacionados sob sua generosa sombra. Esse talvez seja o único motivo que levou essa espécie a ser plantada de forma exagerada no Rio, sua sombra. Mas, como foi dito, faltou critério técnico a quem plantou essas árvores, já que existem espécies mais adequadas para passeios públicos sob fiação aérea e que além de reunir outras características desejáveis para tal, são muito mais belas, como a quaresmeira (Tibouchina granulosa), que é oriunda da Mata Atlântica, portanto brasileiríssima.

E as palmeiras? Não preciso escrever aqui do coco, fruto do coqueiro (Cocos nucifera), que ao cair, cheio de água e pesado pode causar acidentes graves.
Quero falar da Palmeira imperial, que está sendo plantada de forma inadequada e perigosa em algumas ruas da cidade, no passeio público e até em avenidas de grande fluxo de automóveis. A Roystonea oleracea, nome científico dessa belíssima palmeira que, no seu porte menor, atinge 15 metros de altura, ao perder sua folha, pode também machucar quem trafega embaixo. Carros e pedestres não estão imunes. A queda de uma altura de 15 metros faz com que a folha aumente consideravelmente seu peso podendo realmente machucar.
Assim como o exemplo dado à árvore, existem também, espécies de palmeiras que certamente trariam menos riscos e igualmente beleza e imponência aos projetos paisagísticos e seus jardins espalhados pela cidade. O que se precisa é ter embasamento técnico e bom senso. Porque em se tratando de paisagismo urbano, com plantas ornamentais de grande porte e seus inúmeros conflitos, a beleza é apenas mais um critério.    

UM JARDIM COLORIDO MESMO NO OUTONO





Uma leitora especial me disse que olhar um jardim colorido pode ajudar a começar bem o dia. Principalmente os dias que marcarão os próximos meses.
Após um verão repleto de dias ensolarados e pouca ou nenhuma nuvem no céu, chegou uma nova estação. O outono. E então? Como fazer para deixar o seu jardim colorido nos meses de abril, maio e junho?   
Antes, porém, é preciso lembrar que, neste período, os dias começam a ficar mais curtos e as noites mais longas. E daí? Existem plantas que florescem em dias assim? Sim, vamos a elas.      
As begônias são muito cultivadas em vasos e possuem diferentes tonalidades de cores nas suas flores. Possuem flores na cor amarelo-rosa, laranja e vermelho, florescendo sempre no outono. Embora possam florescer mais de uma vez ao ano, essas plantas não expressam toda a beleza da floração de outono.
A azaleia é outra planta famosa pela beleza e floração neste período do ano. Suas flores podem adquirir tonalidades rosa e lilás.
As camélias também estão nessa gama de plantas que florescem no outono. Assim como a azaleia, é uma planta que pode atingir um porte elevado, se cultivada em áreas livres. Suas flores – muito bonitas – são em tom branco e rosa.
A flor-de-maio, com seus tons que variam de rosa ou um tanto quanto salmão, passando por um branco e até mesmo um leve vermelho, é uma belíssima opção. Pode ser cultivada em vasos suspensos e é muito resistente.
A quaresmeira é outra que dá o ar da graça nesta época do ano. Inclusive seu nome popular não é à toa. Essa espécie de árvore e/ou arvoreta, nativa da mata atlântica, já foi objeto central de uma de nossas colunas mensais.
Pelos exemplos, foi possível perceber que há espécies que variam tanto no porte quanto na classe de vegetação. Ou seja, não há desculpas para não se buscar um jardim florido nesta nova estação, seja ele de pequeno ou maior porte. O que importa é a satisfação de ver diferentes espécies expressando sua maior beleza nesta época, com diferentes cores, formas e tamanhos.
E você? O que está esperando para começar a encher sua vida e seu jardim de flores?
Vamos lá. Já é outono no Hemisfério Sul do planeta. Boa sorte e bom plantio.