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Synergy 4 : Uma evolução
Passei dez dias em Afonso Cláudio (ES), competindo pela SOL na primeira etapa do campeonato brasileiro de parapente. A SOL Paragliders é uma das maiores fábricas de parapentes, seletes, reservas e acessórios do planeta. Uma fábrica 100% brasileira, detentora de inúmeros recordes mundiais e patrocinadora dos melhores pilotos brasileiros e estrangeiros.
Antes da competição, a SOL me enviou um protótipo de seu novo projeto: o parapente Synergy 4, projetado para meu peso. Cabia a mim a missão de testar seu desempenho em condições adversas e fora dos padrões normais dos voos de fim de semana. Nada melhor para isto que um campeonato brasileiro em um lugar extremamente exigente como Afonso Cláudio.
Colocaria o nível de exigência do lugar como IV, indicado apenas para instrutores e pilotos experientes. Durante os dias em que lá estive, mantive um diário da competição para o site 360 graus (www.360graus.com.br). Em meus diários, tratava de minhas experiências e impressões sobre a competição e tudo o que a envolvia.
Nunca havia voado no Synergy 4 antes. A primeira vez que o vi foi na rampa de Afonso Cláudio, poucas horas antes da primeira prova. Confesso que certa preocupação assolava meus pensamentos. Nada mais natural, afinal nunca voara nele e não sabia como se comportaria em um voo tão instável e com pousos tão exigentes. Ao mesmo tempo, estava honrado por ser o único com aquele parapente e por ter sido confiada a mim tamanha responsabilidade. A prova foi definida, e decolei logo no terceiro pelotão. A decolagem do Synergy 4 é fácil.
Durante o campeonato, pude experimentar todo tipo de decolagem: vento forte, lateral, sem vento, com rajada e sem rajada. Foram dez dias decolando com ele nas mais variadas condições e locais: tanto de alpina, como de invertida, com facilidade. As linhas A ficam localizadas em um mesmo tirante, o que facilita a decolagem. Se o vento estiver moderado ou forte, basta pegar apenas os dois mosquetinhos referentes ao centro do bordo de ataque, com a mesma mão, e inflar. Se estiver sem vento nenhum, pode-se decolar de alpina, segurando dois mosquetinhos em cada mão e puxando todas as linhas A ao mesmo tempo. Isso permite que ela suba com mais facilidade sem vento.
O Synergy 4 me surpreendeu durante o voo também. Encarou a instabilidade local com maestria. Subia fácil nas térmicas e não exigia grandes acertos de minha parte para manter sua estabilidade diante da condição. Não fechou uma vez sequer, nesse primeiro voo. Nessa primeira termal, acompanhou, com facilidade, as melhores velas do mundo.
Quando resolvi tirar para a prova, decidi acelerá-lo até o talo e voar assim em todos os intervalos térmicos. Fiz isso para testar sua velocidade, perda de altura acelerado e estabilidade diante de possíveis colapsos. Quando acelerado, colapsos podem ocorrer, devido ao menor ângulo de ataque proporcionado pela forte aceleração. Fiquei impressionado com seu desempenho.
É o único parapente da categoria, que experimentei, que muda radicalmente a velocidade quando se acelera. Mais impressionante é que a velocidade muda, a estabilidade não. Passava grandes zonas de depressão a todo vapor sem levar um susto sequer. Outro ponto a favor do Synergy 4 é a perda mínima de planeio, quando acelerado.
Em voo, ele responde rápido aos comandos, é sensível e não pode ser pilotado por braços duros. Suas curvas são fechadas, o que permite um encaixe preciso até em térmicas pequenas. A aproximação para pouso é fácil e ele rende bem perto do chão. Basta tomar cuidado com a última curva, que não pode ser feita muito baixa, pois vai gerar uma aceleração exagerada e, como consequência, um pouso rápido e forte quando sem vento.
Para aqueles que estavam aguardando o lançamento oficial do Synergy 4 e para os que ainda estão decidindo entre ele ou um parapente importado, aí vai meu veredicto: podem encomendar o Synergy 4 (vídeo do primeiro dia do brasileiro http://www.youtube.com/watch?v=l7JxwTx7-uc). Ele não perde em nada para os concorrentes, além de ser um produto 100% nacional que traz orgulho para nós, pilotos brasileiros. Para mais informações sobre o Synergy 4, acesse o site da SOL: http://www.solparagliders.com.br/br/content/view/1148/76/
Visite também o meu site: www.aventurasreais.com.br
47,9 km de Voo em São Lourenço
Por ocasião do Campeonato Sul Mineiro de parapente, viajei para São Lourenço, no Sul de Minas. Apesar de não ter conseguido confirmar minha inscrição, tentei de todas as formas participar da competição na categoria Sport. Inscrevi-me tarde e as vagas haviam acabado. Fiquei na expectativa da desistência de algum piloto, ou algo parecido. Eu e Curreca (piloto de renome nacional e internacional) apertamos a organização no intuito de competir, mas não obtivemos sucesso. Teve gente querendo nos passar a vaga, mas a organização não permitiu. Faltaram 12 pilotos no dia e ainda assim a burocracia falou mais alto.
No fundo, a culpa foi nossa, que nos inscrevemos tarde. Eles poderiam nos ceder o direito de competir? Sim, poderiam, mas não o fizeram, estão no direito deles. Uma pena, pois as possibilidades de pódio eram reais para nós dois.
Curreca nem voar voou. Já eu, que não conseguira competir, esfriei a cabeça no domingo e parti para o cross. A condição não estava excelente, aliás, em nenhum dia esteve. Mesmo assim, parti, coloquei uns 700m acima da rampa de São Lourenço e chamei pelo rádio meus companheiros, Fausto Stuqui e Tiago Dias (Barãozinho). Avisei que partiria rumo à cordilheira da esquerda visando a cidade de Don Viçoso, que fica a 21 km da rampa.
Partimos os três em um voo bem técnico e ralado. Difícil localizar térmicas no céu azul. Optei em ir pelo lado de São Lourenço e logo percebi que não fora uma boa escolha. Comecei a perder muita altura e rapidamente mudei meu rumo para o lado direito da cordilheira que estava à minha frente. Esse lado estava virado para o sol e como o céu estava azul essa era a única indicação de possíveis termais por lá. Dito e feito, quando alcancei o lado "ensolado" da cordilheira bati em uma bolha falhada e consegui subir com ela. Logo Barãozinho estava colado nela também. Fausto estava muito baixo, não conseguiu acompanhar nosso voo. Pelo rádio, tentei colocá-lo na termal abaixo de nós, calculando sua deriva; isso deu um gás a mais para seu voo, pelo menos pareceu que ele me ouvira.
Ganhamos altura e seguimos na deriva da termal. Joguei rumo a umas montanhas altas que estavam logo à frente uns 5 ou 7 km. Cheguei um pouco abaixo delas e bati em outra. Passei de seu cume e percebi que Fausto já não mais estava entre nós. Seu voo havia acabado nos primeiros 12 km, calculo. Barãozinho seguia forte comigo.
Do alto da montanha, já podíamos avistar com clareza a simpática cidadezinha de Don Viçoso. Don Viçoso fica em um vale formado pela montanha que estávamos ganhando e outra cordilheira um pouco mais baixa do outro lado. Seguimos em direção à cidade. Atravessei o vale perdendo altura e alcancei a cordilheira oposta baixo.
Localizei uma boa opção de pouso logo abaixo e fui ralar meu voo na tentativa de seguir em frente. Barãozinho, pelo rádio, dizia para ficarmos por ali, pois teríamos que ganhar muito e atravessar um gap gigante composto apenas por sérias roubadas de pouso.
Na próxima edição, o final desta aventura...
Segurança e responsabilidade no montanhismo
O montanhismo, uma das diversas modalidades de esportes
praticados em todo o mundo, engloba trilhas, travessias, acampamentos,
escaladas e outros. É um esporte que atende todas as idades, níveis
sociais diversos e atinge graduações de dificuldade diferente. É muito
agradável e saudável, mas, pelo seu próprio ambiente natural, envolve
riscos e outras probabilidades de perigo que devem ser controladas, além
de todo o respeito que se deve ter com a natureza, não degradando ou
deixando qualquer tipo de rastros, como pichações, lixos, nomes em
árvores etc.
Todo o estado do Rio de Janeiro é muito privilegiado, pois
existem muitas montanhas impressionantes favorecendo a prática dessas
atividades, como a Floresta da Tijuca, Pão de Açúcar, Parque Nacional da
Serra dos Órgãos, as praias selvagens em Barra de Guaratiba e muitos
outros lugares. Iniciar o contato com o montanhismo é simples, porém
muitos problemas têm se tornado frequentes, alertando a comunidade
experiente e dedicada a fornecer subsídios legais e honestos à cultura
da prática com atenção na segurança, visto que, no Rio, é comum pessoas
com pouquíssimas ou até mesmo nenhuma experiência montar grupos de
amigos completamente leigos e levá-los a lugares onde nem sempre o
acesso é simples, ou até mesmo colocando os integrantes do grupo em
situações de risco completamente desnecessárias, podendo acarretar
acidentes sérios, inclusive morte. Irresponsabilidades como estas são
percebidas praticamente todos os finais de semana na trilha da Pedra da
Gávea e em outros locais.
As pessoas que se responsabilizam como guias
devem ter total consciência sobre os integrantes do grupo, suas
limitações, cuidados, além de ter consigo, obrigatoriamente, um kit de
primeiros socorros. Antes de ir para a montanha, todos os guias e
participantes devem fazer um planejamento, como, por exemplo: ver a
previsão do tempo; ter uma noção da distância e tempo de duração
aproximado da trilha, incluindo ida e volta; se é necessário o auxílio
de corda; saber dar pelo menos o nó 8 duplo, caso seja necessário fixar
uma corda; ter na mochila sempre uma head lamp (lanterna de cabeça);
quantidade de água adequada; um bom lanche; um casaco ou anorak, se for
necessário; e, obrigatoriamente, todos os participantes devem estar
calçados, com, pelo menos, tênis. Chinelo e sandália não são apropriados
para trilhas e aumentam consideravelmente a possibilidade de uma torção
no tornozelo. As roupas usadas devem ser leves e confortáveis, como,
por exemplo, as utilizadas em academia â?? saias não são apropriadas
para a prática do montanhismo; apesar de óbvio, já vi, várias vezes,
mulheres utilizando saias em trilhas, inclusive em trechos onde é
necessário escalar em alguma parte.
É primordial que os grupos sejam
pequenos, respeitando a capacidade do local, e que nunca utilizem
atalhos, pois, ao criá-los, além de aumentar a probabilidade de se
perderem, degradam o meio ambiente. Um assunto polêmico: quando se
encontra um grupo completamente despreparado, em um trecho de uma trilha
em que é necessário o auxílio de corda para subir e descer, e onde este
grupo ficou esperando algum montanhista experiente passar com uma corda
para poder â??pegar uma caronaâ? (o que é comum na trilha da Pedra
Gávea), deve-se ajudá-lo a subir ou não? A esta resposta deve ser
adicionada uma pergunta: também o ajudaremos a descer? Se a pessoa
ajudar o grupo a subir e também se responsabilizar em ajudá-lo a descer,
é claro que se deve auxiliar; devemos ser solidários, não só na
montanha, mas sempre que for preciso! Mas, caso o montanhista experiente
não se responsabilize pela descida do grupo despreparado, é
aconselhável não ajudá-lo a subir e, ainda, recomendar que não insista
em subir sem corda, pois é comum, em casos assim, pessoas inexperientes
passarem a noite presas na montanha, com fome, sede e frio, por não
conseguir descer para o trecho onde receberam a ajuda.
Com isso, o
montanhista experiente pode até mesmo colocar este conjunto de pessoas
em risco, em vez de ajudá-lo. É importante lembrar, também, que a
escalada é um esporte â??radicalâ?, não é como uma simples trilha, que,
em muitas das vezes, é possível praticar sozinho. A escalada deve ser
iniciada e praticada com auxílio de pessoas altamente qualificadas e
experientes, que ensinarão, da maneira mais correta, todos os
procedimentos de segurança detalhadamente, além de indicar como se
comportar na montanha; estes devem ter instrução de autorresgate, ética e
educação ambiental. Devemos lembrar que as montanhas são as casas de
muitos animais, e todos eles merecem o nosso respeito, não devendo ser
incomodados com barulhos ou até mesmo em seus ninhos.
Os galhos de
árvores não devem ser utilizados como um apoio, pois a possibilidade de
eles arrebentarem é grande; isso, além de propiciar tombos, também é uma
espécie de degradação. Caso seja necessário utilizar alguma árvore
pequena como apoio, deve-se segurar próximo das raízes, onde é mais
forte e provavelmente não arrebentará. Vale lembrar, também, que um bom
guia planeja e faz de tudo para que o passeio seja bem-sucedido, mas, ao
mesmo tempo, deve estar preparado para que tudo dê errado. Uma opção
para se iniciar corretamente no montanhismo, principalmente para as
pessoas que não desfrutam de amigos com experiência nessa área, é
procurar um clube excursionista ou empresas sérias que operem com o
guiamento de trilhas e com instrução de escalada. Os clubes
excursionistas e empresas particulares têm bastante experiência no
montanhismo e são preparados para atender com segurança e
responsabilidade, além de ensinar também tudo que for preciso para o
iniciante começar da melhor maneira possível.
No Rio de Janeiro existem
vários clubes excursionistas dispostos a ajudar (CEL, CEC, CERJ,
Guanabara) e uma boa opção de empresa particular, que atua com o turismo
de aventura e instrução: a Kmon Adventure. Este artigo não foi
construído para monopolizar as montanhas e nem os montanhistas e, sim,
para passar informações importantes referente à segurança,
responsabilidade, planejamento e educação ambiental, além de ajudar a
qualificar os montanhistas.
Por Fábio Silveira, convidado por Sandro Cardoso.
Por Fábio Silveira, convidado por Sandro Cardoso.
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