Dia
4 de outubro de 2013, dia de São Francisco, noite fresca de primavera no Rio de
Janeiro. Aniversário de Mariah, minha filha. Meu celular toca, eu com muitos
afazeres e, é lógico, atenção total para a cria. Do outro lado, minha amiga Graça
dos Prazeres, descendente direta de Heitor, magoada comigo: "Como você vem
ao Rio e não arruma um tempo pra visitar meu cantinho aqui no Vidigal?"
"Queremos que apoie o que estamos fazendo aqui!". Eu, constrangido, o
tempo sempre escasso, olhando o relógio e concluindo que não dava mesmo.
"Graça, não vai dar". Do outro lado, um silêncio, como se ouvisse uma
lágrima correndo. Desliguei o telefone triste. Daí me dirigi ao jantar com as
colegas do colégio de minha filha e fiquei conversando com a família, até que,
enfim, fiquei livre às 9 horas da noite.
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O MÉDICO ESTÁ CHEGANDO
Chega dia 13 ao Brasil o homem que veio para
alterar o curso da medicina. Gabriel Cousens, médico, rabino, homeopata e
especializado em ayurveda, que exerceu psiquiatria em seus primeiros anos de
atividade de pesquisa. Autor de livros memoráveis como "Livre da Depressão
para Toda a Vida", "Nutrição Evolutiva", "a Cura do
Diabetes pela Alimentação Viva", "A Dieta do Arco-Iris", "A
Cozinha Verde" e do último lançamento, "A Torah como um Guia para a
Iluminação", e considerado também um dos nomes do empreendedorismo
americano na área da saúde, fundou e coordena hoje a Fundação Tree of Life, com
atuação nos EUA, México, Nigéria (Biafra), Gana e Sri Lanka. Entre suas muitas
atividades no Brasil, vem solidificar a parceria que teremos na prevenção e no
tratamento do diabetes mellitus.
Mas de quem se trata esta pessoa? Não seria
qualquer um para enfrentar, dentro do país que criou a pior dieta do planeta, e
onde a própria Sociedade Americana do Diabetes define esta doença como
"crônica e sem cura". Gabriel formou-se pela Universidade de Columbia
(quinta no ranking mundial), com a menção summa cum laude, o que
significa médias acima de nove. É o que se pode notar ao abrir-se qualquer um
de seus livros. Uma efusão de conhecimentos começa a brotar desde a leitura de
suas primeiras linhas. Um homem sempre à frente de seu tempo, capaz de somar as
forças vigentes na medicina e na fisiologia e fazer valer novos axiomas, não
apenas na teoria, mas também na prática.
A AGUA É AZUL
Mas os interesses que a envolvem podem ser turvos. Ou vermelhos.
Recebemos de Deus a mais bela província do planeta Terra. Afinal, Deus é brasileiro, fato confirmado agora pelo papa. Deus é tão brasileiro que determinou que nossa linda região sul esteja pousada sobre o maior aquífero da Terra, o "aquífero Guarani". Justo nome, honrando a evoluída nação indígena que ocupou toda a região. De fato, os guaranis ocupavam toda área sobre o mar subterrâneo, incluindo mesmo o Paraguai e a Argentina.
Solano Lopez, então presidente vitalício do Paraguai pelos anos 1860 (difícil ter uma democracia na época), também tinha interesse nesta região. Queria todo o aquífero! E tudo o que estivesse entre o Paraguai e o Oceano Atlântico. Os interesses internacionais (incluindo a Inglaterra) fizeram com que a Argentina, o Brasil e mesmo o antigo aliado paraguaio, o Uruguai formassem a tríplice aliança, que respondeu com um exército superpoderoso. A guerra do Paraguai foi traumática, principalmente para os paraguaios, que perderam um moderno país, que na época alcançava a organização social e econômica de uma nação europeia. Praticamente toda sua população masculina foi dizimada.
Voltamos ao Brasil. Recebemos de Deus a bacia amazônica, a bacia do rio São Francisco, todas as bacias regionais, a malha capilar de rios e córregos do nordeste do Brasil. Os colonizadores portugueses, seguidos pelos emancipados brasileiros, dizimaram a mata atlântica que ornava toda a costa do Nordeste, modificando todo o seu clima. Foi um "efeito estufa regional" o Nordeste de hoje ser o "Nordeste das secas".
Os mesmos ocupadores de território, agora brasileiros, com a mesma mentalidade bulionista e depredadora, atuam hoje nas mencionadas bacias, desmatando, jogando mercúrio nos leitos dos rios, explorando madeiras nobres, fazendo um desastre ambiental atrás de outro. Um massacre ambiental ainda toma conta do Brasil. E as águas são as que mais recebem seu impacto.
A ocupação desordenada das margens dos rios, aliada a total falta de infraestrutura sanitária e consciência ecológica, contribui para a transformação de riachos em línguas negras, isso mesmo em áreas remotas. O brasileiro joga latas, garrafas pet, sacos plásticos e embalagens junto às suas fezes dentro de qualquer riacho. Uma postura que caracteriza nossa ocupação desde que os colonizadores retiraram, através de sucessivos genocídios, os indígenas que aqui viviam de forma ecológica e integrada.
Nossa falta de consciência com este legado natural das águas também induz a que empresas multinacionais e corporações acabem por privatizar nossas águas, para depois vendê-las a nos mesmos – os legítimos donos – pelo preço que o mercado ditar. Se observarmos bem, veremos que isso já está acontecendo. Na minha infância, qualquer um pedia um copo de água e este era servido gratuito. E agora, quanto custa um copinho ou garrafinha de água em uma loja de (in) conveniências?
No modelo de agronegócio, é patente a utilização de trilhões de metros cúbicos de água a cada período de estio. Já estão esgotando nosso lençol freático. E agora, muitos agricultores estão utilizando, sem nenhum tipo de taxa, mesmo ambiental, as águas do aquífero Guarani. Os canhões de água e outras geringonças apenas bombeiam nosso recurso natural, em nome da produção de grãos transgênicos batizados com agrotóxicos. Todos os venenos agrícolas voltam ao solo e contribuem, na chegada das chuvas, para que seu conteúdo mortal seja despejado nas águas que nós, brasileiros, acabaremos por consumir em nossos lares.
E não pense que estou sendo dramático. Basta que assista ao documentário Ouro Azul: A Guerra Mundial pela Água e entenderá um pouco mais do que estou falando. E o que é mais assustador é revelado ao fim do filme: a família Bush (dona de um império do "ouro negro" – o petróleo – no Texas) comprou uma área equivalente à da Bélgica, no vizinho Paraguai, para usar seu know-how e esvaziar o aquífero guarani.
Você acha que isto é uma violação à nossa soberania? Mas não é só isso. Os Bush, quando ainda no governo americano, trataram de fazer parceira com o Paraguai e já estão construindo uma base aérea americana em território paraguaio. Quais serão os vencedores de uma segunda guerra do Paraguai, uma guerra pela água, desta vez aliado a drones americanos? Será que eles, os americanos, ainda não aprenderam a lição?
Assim que, sendo eu mensageiro de Paz em tudo o que digo, peço ao leitor e aos brasileiros em geral: vamos cuidar de nossas águas, vamos pensar em novas formas de agricultura, vamos preservar nosso patrimônio cultural e ambiental. Vivam os rios, córregos e bacias de nosso Brasil. Viva nosso aquífero Guarani. Nossas águas são nosso patrimônio!
Dr.Alberto Peribanez,
Recebemos de Deus a mais bela província do planeta Terra. Afinal, Deus é brasileiro, fato confirmado agora pelo papa. Deus é tão brasileiro que determinou que nossa linda região sul esteja pousada sobre o maior aquífero da Terra, o "aquífero Guarani". Justo nome, honrando a evoluída nação indígena que ocupou toda a região. De fato, os guaranis ocupavam toda área sobre o mar subterrâneo, incluindo mesmo o Paraguai e a Argentina.
Solano Lopez, então presidente vitalício do Paraguai pelos anos 1860 (difícil ter uma democracia na época), também tinha interesse nesta região. Queria todo o aquífero! E tudo o que estivesse entre o Paraguai e o Oceano Atlântico. Os interesses internacionais (incluindo a Inglaterra) fizeram com que a Argentina, o Brasil e mesmo o antigo aliado paraguaio, o Uruguai formassem a tríplice aliança, que respondeu com um exército superpoderoso. A guerra do Paraguai foi traumática, principalmente para os paraguaios, que perderam um moderno país, que na época alcançava a organização social e econômica de uma nação europeia. Praticamente toda sua população masculina foi dizimada.
Voltamos ao Brasil. Recebemos de Deus a bacia amazônica, a bacia do rio São Francisco, todas as bacias regionais, a malha capilar de rios e córregos do nordeste do Brasil. Os colonizadores portugueses, seguidos pelos emancipados brasileiros, dizimaram a mata atlântica que ornava toda a costa do Nordeste, modificando todo o seu clima. Foi um "efeito estufa regional" o Nordeste de hoje ser o "Nordeste das secas".
Os mesmos ocupadores de território, agora brasileiros, com a mesma mentalidade bulionista e depredadora, atuam hoje nas mencionadas bacias, desmatando, jogando mercúrio nos leitos dos rios, explorando madeiras nobres, fazendo um desastre ambiental atrás de outro. Um massacre ambiental ainda toma conta do Brasil. E as águas são as que mais recebem seu impacto.
A ocupação desordenada das margens dos rios, aliada a total falta de infraestrutura sanitária e consciência ecológica, contribui para a transformação de riachos em línguas negras, isso mesmo em áreas remotas. O brasileiro joga latas, garrafas pet, sacos plásticos e embalagens junto às suas fezes dentro de qualquer riacho. Uma postura que caracteriza nossa ocupação desde que os colonizadores retiraram, através de sucessivos genocídios, os indígenas que aqui viviam de forma ecológica e integrada.
Nossa falta de consciência com este legado natural das águas também induz a que empresas multinacionais e corporações acabem por privatizar nossas águas, para depois vendê-las a nos mesmos – os legítimos donos – pelo preço que o mercado ditar. Se observarmos bem, veremos que isso já está acontecendo. Na minha infância, qualquer um pedia um copo de água e este era servido gratuito. E agora, quanto custa um copinho ou garrafinha de água em uma loja de (in) conveniências?
No modelo de agronegócio, é patente a utilização de trilhões de metros cúbicos de água a cada período de estio. Já estão esgotando nosso lençol freático. E agora, muitos agricultores estão utilizando, sem nenhum tipo de taxa, mesmo ambiental, as águas do aquífero Guarani. Os canhões de água e outras geringonças apenas bombeiam nosso recurso natural, em nome da produção de grãos transgênicos batizados com agrotóxicos. Todos os venenos agrícolas voltam ao solo e contribuem, na chegada das chuvas, para que seu conteúdo mortal seja despejado nas águas que nós, brasileiros, acabaremos por consumir em nossos lares.
E não pense que estou sendo dramático. Basta que assista ao documentário Ouro Azul: A Guerra Mundial pela Água e entenderá um pouco mais do que estou falando. E o que é mais assustador é revelado ao fim do filme: a família Bush (dona de um império do "ouro negro" – o petróleo – no Texas) comprou uma área equivalente à da Bélgica, no vizinho Paraguai, para usar seu know-how e esvaziar o aquífero guarani.
Você acha que isto é uma violação à nossa soberania? Mas não é só isso. Os Bush, quando ainda no governo americano, trataram de fazer parceira com o Paraguai e já estão construindo uma base aérea americana em território paraguaio. Quais serão os vencedores de uma segunda guerra do Paraguai, uma guerra pela água, desta vez aliado a drones americanos? Será que eles, os americanos, ainda não aprenderam a lição?
Assim que, sendo eu mensageiro de Paz em tudo o que digo, peço ao leitor e aos brasileiros em geral: vamos cuidar de nossas águas, vamos pensar em novas formas de agricultura, vamos preservar nosso patrimônio cultural e ambiental. Vivam os rios, córregos e bacias de nosso Brasil. Viva nosso aquífero Guarani. Nossas águas são nosso patrimônio!
Dr.Alberto Peribanez,
HORA DE RECOLHER
Asas cansadas têm no alvorecer vontade renovada de voar: foram dois cursos BASES I na Alemanha (cada um com uma semana) e a estreia do curso BASES II (quatro dias). As Bases Fisiológicas (BASES I) e Conscientes (Bases II) da Terapêutica Natural e Alimentação Viva. Se eu pudesse dizer o que foi ler ou falar em alemão todos os princípios que as instituições modernas nos fizeram esquecer, e ser compreendido, não apenas no idioma alemão, mas ser compreendido filosoficamente... Foram mais de 50 seres destas bandas, passando por uma convivência diária de uma semana, em cada curso, comigo e com Adriana Woll, Bianca Gold e Norbert Wilms. Fizemos uma equipe sagrada. Lutamos horas a fio por dia em semanas seguidas de trabalho.
Mais um momento muito especial que aconteceu: passei por Wolfsburg – uma palestra plena de sucesso com a Volkswagen – e volto com mais uma bagagem de provável parceria. Sinto que a arte da medicina está premiando tanto esforço. Mais um presente alemão: Georg Reiter, diretor da empresa Passion 4 Fruit ("Paixão por fruta"), doou um microscópio de campo escuro, que estará em breve à disposição de todos no Brasil. Meus alunos, para fazerem uma reciclagem, meus pacientes, para acompanhar o estado pleomórfico do sangue. Um sonho que se realiza. A caminho do CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA BIOGÊNICA. Viajei a Datteln, na Alemanha central, onde conheci a firma do microscópio e aprendi as técnicas básicas. Assisti à final da Copa das Confederações com meu amigo Olaf Dathe em Munique e já estou de volta, nos braços da portuguesa TAP, que proporcionou também meu curso em Portugal, através da amiga Leite da Terra.
Em Recife, encontro-me com o Wallace Liimaa para acertar detalhes do Simpósio de Saúde Quântica (13 a 15 de setembro, www.saudequantum.com) e do Festival Culture of Life (17 a 22 de setembro, www.despertandoseupotencial.com.br) com meu colega e mestre Gabriel Cousens. Termino dizendo que nunca fui tão médico em minha vida como o sou agora e, também, nunca trabalhei tanto. É fim de semana, é feriado, é dia e noite. Mas estou preparado para a segunda fase: o livro CIRURGIÃO VERDE vai sair, e em quatro idiomas (alemão, inglês, espanhol e português... precisa!) para que este modelo de saúde, o MODELO BIOGÊNICO, possa se espalhar pelos médicos conscientes deste planeta e beneficiar todos aqueles que clamam por mudanças. Sem exagerar, sei que está em nossas mãos, minhas e de meus colegas médicos e assistentes, uma esperança para a saúde do Brasil. Mas o caminho é a sabedoria, o poder transformador do amor e as boas e direcionadas ações. Para construir seu templo interno e o reino daqueles que amam aos próximos como a si mesmo, necessitamos estar presentes, no aqui e agora, dentro da energia do trabalho criativo, criando uma cultura de paz.
Deixo as palavras do Mestre com todos os irmãos alemães e para os próximos brasileiros e latino-americanos que, olhos nos olhos, não nos deixam mentir: Friede sei bei dir. A Paz seja convosco.
Dr.Alberto Peribanez,
FESTIVAL CULTURE OF LIFE
O dr. Gabriel Cousens – um marco na medicina do século XXI – apresentará, pela primeira vez no Brasil, os cursos "Alimentação Consciente" e "Despertando Seu Potencial", de 17 a 21 de setembro, no Parque Intervales, no interior do estado de São Paulo. Ele é o autor dos livros A Dieta do Arco-iris, A Cura do Diabetes pela Alimentação Viva e Nutrição Evolutiva, que já têm edições em português, além de outros memoráveis livros: Conscious Eating (Alimentação Consciente), Rainbow Green Life Food Cuisine, Tachyon Energy, a New Paradigm in Holistic Healing, Depression Free for Life e Torah as a Source for Enlightment, ainda não traduzidos, entre muitas outras publicações de menor porte.
CULTURA DA VIDA
“Cultura
da Vida”... A partir desta data, e algo que considero solene, a coluna
“Ecologia Humana” vai para os arquivos de colecionadores, ou para meus próximos
livros. Talvez o leitor não saiba, mas muitas das crônicas que aqui publico passam
a fazer parte, posteriormente, de minhas publicações, artigos ou livros. O
capítulo “Hipócrates no Rio de Janeiro”, por exemplo, foi publicado
inicialmente aqui e hoje consta no livro “Lugar de Médico é na Cozinha”. “O
Médico e o Verdureiro” vai para o capítulo inicial do meu livro “O Cirurgião
Verde”, ainda em fase de escrita. E os capítulos de “Contos para Sofia” – meu
futuro livro infantil – foram publicados, em sua íntegra, neste honroso jornal.
Assim que muitos textos saíram “na pressão” da Katia, do Nelson ou do Gustavo.
Esta “pressão” acaba gerando textos que surpreendem a mim. Muitos que considero
bons ou ótimos saíram, assim dizendo, de última hora. Ou seja, o exercício de
escrever para este jornal acaba sendo o fermento para minha atividade literária,
prensada entre meu dia a dia cheio de palestras, aulas, cursos e consultas.
Mas
acho que agora chegou a hora de mudar. Não uma mudança súbita, ela é fruto de
reflexões, de amadurecimentos graduais e de conviver e ouvir alguns daqueles
que eu apenas considerava mitos: Amit Goswami, John Veltheim, Wallace Lima,
Trigueirinho e Gabriel Cousens, por exemplo, hoje fazem parte de minha lista de
conhecidos ou amigos. Minha prateleira de livros cresceu, e hoje tenho nela
brochuras valiosíssimas, como “Alimentos de Paz” (Peace Food), de Ruediger
Dahlke, ou “A Alma das Árvores”(Die Geist der Baume) e “Supere a Gravidade”
(Defy Gravity), junto aos clássicos “Walden”, de Henry Thoreau, “Ponto de
Mutação”, de Fritjof Capra, o “Glossário Esotérico”, de Trigueirinho, ou o
inesgotável poema de vida “Evangelho Essênio da Paz”, de Edmond Bordeaux
Székely. Esses caras são portadores de informações que elevam o grau de
evolução humana. Ninguém nasce feito. É exatamente através dos encontros
pessoais, literários ou virtuais com eles que a espécie humana percebe
aprendizados verbais e não verbais e evolui inexoravelmente para o exercício de
seu papel na superfície do planeta. Somos assim desde que éramos “primatas
catadores que andam em bando”, nossa mais perfeita definição genealógica.
A
informação que uma Cultura da Vida está florescendo, e poderá influenciar toda
esta primeira metade do século XXI,
impulsiona-me na ascese pessoal e na intenção de continuar trabalhando,
servindo, atuando e, principalmente, de aceitar que meu próprio corpo e minha
própria mente não estão destinados à inevitável degeneração. E que também
disponho de um equipamento sutil e altamente sofisticado em estado latente:
minha alma, esta santa expressão, que ainda é criança e sorri feliz ao saber que
me dedicarei ao seu crescimento nos próximos cento e vinte anos. Assim passa
esta coluna a ser denominada doravante “Cultura da Vida” para que preserve e
honre todos os temas relacionados à vida, à alegria de viver, às manifestações
culturais que enalteçam os seres humanos vivos e todos os seres que nos
acompanham na Terra. É mais uma chance de me exercitar e escrever, apoiado
pelas coisas da natureza, no livro da vida, que nos inspira a cada dia que o
sol desponta no horizonte, a cada gota de chuva que beija a terra e a cada
criança que nasce e sorri para a vida. Não tenho dúvidas que a força desta
coluna puxará minha pena e logo você, leitor, poderá deleitar-se com estas
linhas, cheias de estradas, florestas e nascentes. AHOU.
Alberto Peribanez
DOIS FILMES
Na minha infância, as
férias duravam quase três meses. Já na vida adulta, me satisfaço com algumas
semanas em que consigo escapar de tantos compromissos. Cinema acompanha a
tendência. Antes, era quase um cinéfilo, frequentava os espaços culturais, as
semanas temáticas, ciclos de diretores, cinema polonês, russo e alemão. Hoje,
me defendo com algumas coleções de vídeos que alguns grandes jornais organizam.
Mas a tela plana nunca pode replicar o ambiente que só uma sala de cinema
representa. No verão, então, aquele calor africano do lado de fora e aquele
friozinho escandinavo da sala fazendo o contraste, é uma delícia.
Em dois dias, dois
filmes, dois gêneros e duas escolas. Uma mostra pequena, mas que pode expor uma
tendência: o cinema brasileiro está melhorando. De um lado um peso pesado:
"O Hobbit, uma aventura inesperada", 470 milhões de dólares de
orçamento, toda a fama dos escritores, equipes milionárias de Hollywood e...
uma narrativa sem a menor novidade, personagens batidos, clichês, e sequências
intermináveis de efeitos especiais. Não consegui dar sequer uma risada. Só
mesmo do ridículo de algumas cenas e do fato que o "feiticeiro
castanho" teria debaixo do chapéu um ninho ativo, e deste ninho a merda
escorria, lambrecando o cabelo do bruxo. Talvez um resumo do próprio filme. O
abuso com a nossa paciência vem ainda do fato que o suposto personagem
terrível, o dragão, nem aparece. Ele arrasa o quarteirão do castelo dos anões,
a gente vê o rabinho aqui, umas sombras ali, no melhor estilo de filmes B. Ao
final do filme, o monstro abre o olhinho, como se dissesse: "olha: para eu
aparecer na próxima edição, precisamos outros 470 milhões; vê se vocês
comparecem e encham nossas burras!".
Os atores... Que atores? O interprete
do Hobbit é medíocre e, como o Hobbit é bobo mesmo, o ator se esconde atrás do
personagem. Os anões são todos canastrões, pareciam atores mexicanos! E o bicho
esquisito, "o que rouba a cena" ao contracenar com o Hobbit, deixa
muito a desejar. Pensei em um ator brasileiro, como Matheus Nachtergale. Se
tivesse um papel deste, Matheus lhe daria a dramaticidade de um Nosferatu. Mas
nada. Tudo uma grande bobeira. Depois de três horas sentado, saí com a nítida
sensação de haver jogado dinheiro fora, mas contribuído para que no próximo da
sequência o tal dragão apareça. Teria sido melhor se em vez de um filme fosse
um videogame. Pelo menos eu participaria das intermináveis cenas de
espadas decepando e pedras caindo.
Do outro lado:
"De pernas pro ar 2". Nacional, 6 milhões de orçamento e uma
agradável surpresa. Comedia romântica, um gênero difícil de agradar,
especialmente a mim, mas que conseguiu fazer rir em um limiar alto e mesmo
deixar lágrimas nos olhos. Algumas cenas, como uma invejosa e ciumenta Ingrid
Guimarães, quando sua personagem se corrói com as características de uma médica
prodígio se apresentando ao marido, são dignas de entrar para os registros do
cinema nacional. Toda a sequência inicial da decadência nervosa da personagem e
no spa é impecável, com um elenco de apoio muito competente e divertido e cenas
hilárias. O fato de a empresária ser bem-sucedida no ramo de falos elétricos,
vibratórios, em forma de coelhinhos ou polvos, não concentra a trama em torno
do "negócio". Em nenhum momento a comédia cai na vulgaridade, e as gozações
abrangem todos os gêneros, sem fazer humor barato ou humilhante, muito pelo
contrário, as piadas são todas de muito bom gosto.
Com exceção de Maria Paula,
que é a sucessora natural de Betty Faria, o elenco cria momentos impagáveis,
apoiado por uma direção concisa, um roteiro bem sequenciado e uma edição
dinâmica. Isso faz com que toda a sequencia final, rodada em Nova York, não
perca a linha. Um excelente filme nacional que, ao contrário do gigante bobão
americano, me deu a sensação de haver investido bem o dinheiro do salgado preço
dos cinemas de alta temporada. De alguma forma, mostra que o cinema, como
gênero de arte, está crescendo no Brasil.
Alberto Peribanez
NIRVANANDA
Desde a porteira, avista-se o terreno ondulado, ornado por uma
floresta que cerca toda a propriedade. O laguinho repousa em seu leito sereno,
refletindo a imagem da casinha, construída há muitos anos. Quando sopra o
vento, as águas sossegadas refletem a floresta, formando um mosaico com as
cores refletidas. O riachinho contorna a casa, com suas águas nascendo a muito
pouca distância dali, em florestas mais densas, e junta-se a outro, que vem da
floresta ao norte e desce serpenteando por um pequeno vale, cheio de flores e
cogumelos nativos. Muitas nascentes, muita água e muita terra disponível para o
plantio orgânico.
Os insetos e os pássaros dominam a fauna, mas, mesmo sem camisa de
manga comprida, caminhamos pelo sítio sem sequer uma picada de mosquito. Os
insetos predominantes são as vespas, muitos tipos de vespas diferentes.
Testemunhas de que o pequeno paraíso é também um paraíso ecológico. Explico: as
fumigações de inseticidas, por tratores ou aviões, estão exterminando estes
maravilhosos e importantíssimos bichinhos. Ontem mesmo, percebi que um pequeno
e mimoso enxame formou-se na beira do telhado. Após examinar, percebi que a
construção anunciada não perturbará a abertura da janela. Do contrário, farei
um aparador, para que as vespinhas fiquem mais à vontade.
Besouros, abelhas, joaninhas, de formas e cores que ainda não
havia visto, dão uma pequena amostra da impressionante biodiversidade da
floresta que está próxima à região do sítio: o Parque Estadual Intervales.
Região conhecida em todo o mundo pelos observadores de pássaros. Já vi de
diversos tamanhos e cores que ainda não conhecia. Há uns que chegam pela manhã
e têm as cores brilhantes verdes ou azuis. Um espetáculo da natureza. O Sítio
Terapêutico Nirvananda está dentro da chamada "zona de
amortecimento". Nossa prática estará de acordo com as preconizadas para
este tipo de zoneamento: plantios orgânicos, agrofloresta, proteção ambiental.
Mas estaremos introduzindo um conceito totalmente novo: a saúde ecológica.
O Nirvananda é um lugar de evolução, pessoal, em grupo e com o
planeta. Aqueles que escolherem um período de suas vidas para lá ficar
experimentarão profundas mudanças em seus corpos físicos, mentais e
espirituais. Das hortas orgânicas sairão todos os ingredientes que comporão o cardápio
diário, semanal, mensal e anual. A cozinha será área importantíssima. Ampla,
equipada com instrumentos para a prática de alimentação viva e respeitando
todas as normas de higiene, atuará como cozinha nos retiros e cursos, mas terá
função constante como uma pequena fábrica de produtos biogênicos, usando os
ingredientes orgânicos produzidos no sítio.
Já havia um amadurecimento para obter este espaço na Terra. Existe o tipo de sítio "dionisíaco", onde tudo é prazer,
o deleite com a paisagem, com as árvores e o contorno da natureza, a sala e a
varanda com redes e confortos da vida urbana, como televisão. Acredito que seja
o tipo de sítio mais comum. Mas nosso sítio é "pitagórico". Ele se
entende na sua função, como um lugar irradiador de uma nova filosofia, de uma
nova cultura. Não compramos o sítio para visitá-lo aos fins de semana e morar
na cidade, mas sim para morar nele e visitar as cidades e o mundo de vez em
quando.
Quando a noite chega, um vento fresco que sopra da floresta faz o
clima de paraíso. Delas brotam sons com uma intensidade que eu nunca ouvi:
sapos, pássaros noturnos, grilos cantam ao mesmo tempo, em uma população
gigantesca. Uma verdadeira sinfonia da natureza. Hora de meditar e esperar que
o corpo sinta a necessidade de descanso.
Em dezembro de 2012, mês de fins de ciclos (um de minha vida,
outro do planeta), nos mudamos para o Sítio Terapêutico Nirvananda, na Aldeia
Boa Vista, município de Ribeirão Grande, a 250 km de São Paulo. Nossa casa será
de todos vocês. Lá atenderemos consultas, cuidaremos de nascentes, plantaremos
hortas e agrofloresta, meditaremos, brincaremos com as crianças. Trata-se de um
resgate histórico em minha vida. Resgato minha infância, gravada nas margens de
riachos, pedras e árvores do sítio Nirvana, na Guaratiba dos anos setenta. Ele
teve de ficar após minhas mudanças físicas e transmutações
espirituais.Transformou-se em uma meta a ser buscada com o empenho de nosso
grupo de trabalho, especialmente Maya Beermann, que agora compartilha comigo
cada gota desse paraíso. Espero que todos venham, os que me apoiaram e nem
precisam e os que não me apoiaram e dela precisam. Ao abraçar esse pedacinho do
planeta que Deus me dedicou, me sinto perdoado por todo mal que possa ter feito
a um irmão, mesmo sem saber. Também quero que me perdoem e que venham me
visitar. Acenderemos uma fogueira e queimaremos nela todo resquício de mágoa ou
ressentimento.
Meu avô, o jornalista Firmino Peribanez, bem escolheu o nome
"Nirvana" para o sítio em que vivi minha infância. Ao modificar o
sufixo – afinal, o sítio paulista é diferente do carioca – para Nirvananda, a
nova palavra em sânscrito traz a característica de caminho: o
"Caminho da Eterna Felicidade".
Vejam as fotos no meu blog: www.doutoralberto.com
O REI ESTA NU
Relata um conto que um alfaiate esperto foi chamado por um rei
para que lhe fizesse as vestes. O alfaiate, então, costurou o ar, ao redor do
rei, perguntando-lhe o que achava. O rei, com uma mistura de vaidade, orgulho e
mesmo ingenuidade, concordou que sua roupa era digna de sua nobreza, embora ele
mesmo se visse nu ao espelho. Afinal, como o alfaiate malandro podia ver o
tecido, e ele, o próprio rei, não? Assim feito, chamou a corte e apresentou sua
nova roupa e mesmo desfilou pelas ruas, vestido de sua própria nudez. Muitos da
corte e da população também não admitiam que o rei estava nu, forçados pelas
próprias ilusões e ignorância. Quando vejo nosso rei do futebol, na televisão,
usando a camisa que tornou sagrada, em nome da indústria de agronegócios do
Brasil, me sinto como alguém que vê o rei nu e ridicularizado. Lamento que
muitos brasileiros acreditem na farsa e vejam o rei vestido. Talvez estes
anunciantes tivessem que ter um pouco mais de pudor. Afinal, a indústria de
armas não anuncia na TV que a venda de mísseis e carros de combate aumenta a
receita do país, muito menos chama o Fittipaldi para pilotar um helicóptero.
A
venda de soja e milho transgênico aumentam a receita do pais, verdade. Mas a
que custo? Para que este modelo agrícola se constitua, estamos esgotando nossas
reservas hídricas. As monoculturas se tornaram a regra, e, para manter este
deserto verde artificial, bilhões de litros de água jorram, bombeados por
máquinas violentas. A visão é quase a de um fenômeno natural, um gêiser ou uma
cachoeira. Mas é uma máquina, uma não, milhares dessas máquinas, criando uma
chuva artificial, drenando riachos, lagos, lençóis freáticos e esgotando nosso
recurso natural mais valioso na frente de nossos olhos. A mata atlântica, o
cerrado e a Amazônia vêm sendo mutilados sem a menor piedade. Para que a soja
brasileira alimente os porcos da Dinamarca. A mídia e os jornais nos fazem
acreditar que a coisa está melhorando. Melhorando como? A concentração de
terras na mão de poucos só aumenta. Mais agricultores familiares estão sendo
despejados. Antes, o despejo dos "vassalos" era sumário, bastava
expulsar, mas hoje tornou-se oficializado. O pequeno agricultor massacrado fica
sem produzir, quebra, não tem mercado para escoar sua pequena produção, se vê
falido. Doente e sem perspectivas, vende sua terrinha por uns trocados – ou,
usando a moeda agrária, alguns sacos de grãos – e vai engrossar o cinturão de
pobreza das grandes cidades, cada vez mais inchadas. Por que São Paulo está
matando 111 por semana?
Curioso: o número 111 regressa, vinte anos depois.
Foram também 111 os massacrados no Carandiru. Mas agora são policiais, jovens,
trabalhadores e traficantes, tudo junto e misturado. Coincidência? Sinal dos
tempos? Nada disso! A coisa começa nos campos, na desigualdade produtiva, de
escoamento dos produtos, no esmagamento do homem do campo pela máquina do
agronegócio. Florestas e nascentes desaparecem em um monte de entulhos,
esmagadas por máquinas semelhantes a tanques de guerra, para que surja um "reflorestamento"
de eucaliptos. Mesmo no interior – diga-se de passagem, no interior do rico
Estado de Sao Paulo – cada vilarejo já dispõe de sua miséria, seus
desempregados, usuários de drogas e traficantes. São ainda a primeira geração
perdida de filhos de agricultores que perderam o sentido de suas vidas. Se isso
ocorre no estado mais rico, o que se dirá do restante do país? Pois este modelo
só pode dar sequência a uma rede do mal, nunca a um círculo virtuoso. Esta
especialização do modelo agronegócio esmagador da sociedade agrária original se
perpetua nas faculdades de agronomia, formando tecnocratas frios que são
capazes de escoar a produção de agrotóxicos das indústrias químicas e
despejá-los sobre os nossos alimentos. O mesmo ocorre com os transgênicos, cada
vez mais banidos das lavouras do mundo e em escala crescente geométrica no
Brasil.
A senadora Cátia Abreu aparece no mesmo anúncio, vestindo
despudoradamente a camisa da seleção brasileira. A mesma que aparece no filme
"O veneno está na mesa", de Silvio Tendler, afirmando: "o pobre
tem que comer com agrotóxicos sim...". O Brasil é o maior usuário de
agrotóxicos do planeta, relacionados a todos os tipos de câncer. Mas o lado
"agro" do ensino médico, a indústria de medicamentos, lava as mãos.
Nossos alunos de medicina saem da faculdade ignorando a toxicidade destes
pesticidas. Não causa espécie que o anúncio televisivo use o nosso ingênuo rei
para vestir a camisa que tanto honrou nos campos. Na verdade, se os
patrocinadores agroindustriais colassem seus nomes na camisa, mal se poderia
ver o amarelo. Podemos não ter o mesmo poder midiático e a mesma grana que
esses alfaiates mas escrevo estas linhas na esperança de que cada vez mais
brasileiros possam entender que o rei está nu.
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